O Hipismo Terapêutico promove o cruzamento de sensibilidades protagonizadas por duas forças vivas da Natureza. Essa ligação única muda-as para sempre. Cavaleiro e cavalo constituem uma simbiose que faz toda a diferença na qualidade de vida de quem precisa de contar com soluções alternativas. Os resultados obtidos mostram que pode ser uma opção eficaz capaz de dar resposta a quem procura encontrar soluções capazes de aliviar quotidianos marcados pela diferença.
A Associação Hípica Terapêutica (AHT), uma organização sem fins lucrativos com sede em Cascais, criada no âmbito de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), localizada no Real Clube de Campo Dom Carlos I, situado entre as dunas próxima da praia do Guincho, tem desenvolvido um projecto que aposta “no poder extraordinário dos cavalos para chegar às pessoas de uma forma diferente da terapia tradicional”.
Fundada em 1989, por Kathryn Jane Watson, a AHT tem dedicado os 37 anos da sua existência à Equitação Terapêutica em Portugal destinada a crianças e adultos com algum tipo de deficiência. Esta instrutora acreditada internacionalmente, e juíza de equitação paralímpica, já ajudou a transformar a vida de mais de 800 cavaleiros com limitações, bem como as suas famílias, que têm acompanhado de perto milhares de sessões realizadas no picadeiro da Associação.
É com assinalável emoção que todos os intervenientes envolvidos nestas sessões terapêuticas acompanham a evolução registada por crianças com limitações físicas, cognitivas e emocionais que vivenciam a experiência inesquecível de montar a cavalo, beneficiando de um poder sensorial que transcende, tantas vezes, as dificuldades enfrentadas. Não há pequenas vitórias, as etapas alcançadas são sempre festejadas com a importância que representam: passos de Gigante.
O jornal ‘O Correio da Linha’ foi assistir ‘in loco’ a uma dessas sessões terapêuticas assistidas por cavalo que tantos admiradores têm conquistado. Muito desse trabalho é realizado com ajuda de voluntários dedicados que doam o seu tempo e conhecimento em prol de uma causa que merece todo o apoio da comunidade. Frances Austin, responsável pela angariação de fundos e marketing da AHT, e António Manoel, director técnico e instrutor de equitação, foram os nossos cicerones.

CAVALEIROS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
Jornal ‘Correio da Linha’ (CL) – A AHT ocupou sempre este espaço no Real Clube de Campo Dom Carlos I?
António Manoel (AM) – Não. Primeiro, estivemos num outro local, mas mantivemo-nos sempre no concelho de Cascais. Viemos para aqui em 2003. Antes, estávamos instalados no Hipódromo de Cascais. Estas instalações na Areia foram construídas através de um acordo com a Câmara Municipal de Cascais (CMC), para a associação se instalar.
CL – O que é que caracteriza o Hipismo Terapêutico? O que faz dele diferente?
AM – Primeiro, é abranger todo o tipo de cavaleiros com necessidades especiais. Depois, é tentar dar-lhes oportunidade de terem um momento feliz. Para quem gosta de andar a cavalo, poder ser autónomo nesta actividade, montar sozinho, fazer o passo, o trote, o galope, faz muita diferença. Há pessoas que gostam de ir ver o mar por ser terapêutico, porque se sentem bem, porque relaxam. O contacto com o cavalo acaba por ser também algo terapêutico. O bem-estar não tem de ser só aprender a montar. Às vezes, simplesmente, o contato com o cavalo, o lazer… já proporcionam esse bem-estar.
CL – Qual é o principal benefício desta terapia?
AM – Primeiro de tudo, é o facto de a pessoa vir para uma actividade de lazer. O benefício que tem de se sentar em cima do cavalo e de sair daqui agradada, com a ideia de que conseguiu montar, que vai relaxada, que realizou uma actividade que lhe dá prazer e que consegue fazer. Sai daqui com autoestima.
Depois, tecnicamente, melhora a postura, porque muitos utentes, principalmente os que estão sentados em cadeiras de rodas, estão sempre mais tortos. Com o estímulo do cavalo, o corpo da pessoa está todo em movimento, entra em relaxamento. As pessoas saem daqui completamente relaxadas e vão felizes.
CL – A quem é que se destina este Hipismo Terapêutico?
AM – Nós, aqui, aceitamos todo o tipo de crianças que venham através de instituições, recomendadas por psicólogos ou terapeutas ocupacionais. Normalmente, são todos diagnosticados com alguma deficiência, alguma dificuldade, seja física ou intelectual.
Também temos grupos formados por jovens provenientes de situações familiares muito empobrecidas, que estão incluídos em programas de reinserção e que vêm aqui montar para se integrarem num grupo com outros jovens, para estabelecerem contactos.
CL – Esses jovens não têm de ter necessariamente uma dificuldade cognitiva, nem física?
AM – Não, não têm. Vêm de meios mais desfavorecidos. São aconselhados a ter um contacto diferente com uma actividade diferente. Por vezes, acontece terem um défice de atenção associado, devido ao que passaram, à vivência deles. Esses grupos, que vêm com as escolas, vêm praticar uma actividade no exterior. Não têm de ter paralisia, ou autismo, que são as situações que temos mais. São aconselhados pelos professores e/ou pelos médicos e inserirem-se no grupo, muitas vezes só pela relação que podem ter com os outros.
CL – Recebem pessoas que são recomendadas por instituições. Também recebem particulares que venham isoladamente?
AM – Também aceitamos pessoas que venham isoladamente. Quem aconselha a prática da Equitação costumam ser os médicos. Nesse sentido, é preciso terem autorização médica para poderem praticar as actividades que temos disponíveis.
CL – A AHT tem algum convénio e/ou colaboração com o Serviço Nacional de Saúde (SNS)?
AM – Não, não temos. O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) manda-nos muitas pessoas, assim para serviços mais especializados. Alguns psicólogos também recomendam esta actividade como terapia, para sair de casa e apanhar ar a praticar uma actividade diferente, que não seja o futebol em grupo. Aqui, podem praticar uma actividade em que não são julgados, se são melhores, ou são piores, sem a vertente competitiva, de uma forma mais relaxante.
CL – Têm acordos estabelecidos com algumas instituições?
AM – Não, esse tipo de acordos não existe. Contudo, as instituições sabem, através dos técnicos que trabalham nestas áreas, que nós existimos e aconselham as pessoas a vir aqui. Por exemplo, a CERCI (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas) é uma das instituições que vem cá com os seus utentes já há mais de 20 anos.
Por outro lado, todos os dias, temos grupos de escolas e grupos particulares, que são autónomos, que têm transporte próprio. Temos jovens integrados em agrupamentos de escolas que vêm com transporte da Câmara.

UTILIZAR O CAVALO COMO MARQUESA
CL – Que tipo de situações é que podem ser melhoradas através do Hipismo Terapêutico?
AM – No fundo, estas actividades destinam-se a toda a gente. Depois, consoante a dificuldade, trabalha-se mais especificamente cada situação, com técnicas mais adequadas a cada caso. No aspecto mais físico, podemos ter uma equipa acompanhada por um fisioterapeuta. É o caso da Hipoterapia, já destinada a outro tipo de técnicas com fins terapêuticos.
Assim resumidamente, vamos imaginar que a Hipoterapia é realizada com a ajuda de um fisioterapeuta, em que o cavalo serve de marquesa. Ou seja, a pessoa aproveita o estímulo do movimento do cavalo, para depois o adaptar aos exercícios do tipo daqueles que seriam realizados numa marquesa.
CL – Basicamente, funcionam sempre com base num diagnóstico. E depois têm uma equipa técnica que adapta o exercício às necessidades identificadas nesse diagnóstico?
AM – Sim. Por norma, quem vem das instituições vem sempre acompanhado por um técnico. No início do ano lectivo, esse técnico informa-nos do tipo de trabalho que é preciso desenvolver mais. Depois, através da nossa equipa de voluntários, atribuímos um objectivo relacionado com a equitação geral.
O nosso objectivo é sempre tentar atingir o máximo de autonomia dos utentes, para que consigam montar a cavalo autónomos. Se conseguirmos isso nos três andamentos do cavalo (passo, trote e galope) perfeito. Há muitos que só conseguem montar a passo, outros já chegam ao passo e ao trote, mas o nosso objectivo principal é sempre ficarem completamente autónomos. Consoante as capacidades que têm, vamos adaptando.
As situações que estão relacionadas com a parte física são sempre acompanhadas por um fisioterapeuta. Por norma, os grupos também trazem os fisioterapeutas e são eles que decidem qual é o trabalho a desenvolver.
CL – Aceitam outro tipo de sessões?
AM – Aceitamos aulas particulares em que fisioterapeutas que têm os seus próprios utentes vêm aqui usar os nossos cavalos, mas neste momento estamos mais relacionados com a Equitação Terapêutica.
CL – Mas têm um fisioterapeuta vosso?
AM – Neste momento, não temos.
CL – Não têm fisioterapeuta porque…
Frances Austin (FA) – É nossa intenção vir a ter, mas existe a questão do financiamento para passarmos a ter essa autonomia. Neste momento, falta-nos esse apoio financeiro. Até mesmo para alargarmos o nosso horário de funcionamento. Actualmente, trabalhamos das 9h00 até às 12h00, mas gostaríamos de ampliar também para a parte da tarde, entre as 14h00 e as 18h00.
CL – E isso está dependente de assegurarem um financiamento mais sustentável…
FA – Isto acaba por ser uma bola de neve. Ou seja, se nós tivermos o fisioterapeuta já podemos tentar arranjar mais alunos. Contudo, por norma, não é habitual aparecerem alunos que não venham já acompanhados pelos próprios técnicos.
Nós já tivemos um fisioterapeuta que vinha todas as sextas-feiras. Nessa altura, conseguíamos ter, também, uma tarde sempre ocupada. Entretanto, veio a Covid e ele deixou de vir… O nosso objectivo, agora, é poder vir a contar com o apoio do SNS, da CMC, ou uma colaboração qualquer.
CL – Mas já estabeleceram algum contacto com o SNS nesse sentido?
FA – Ainda não, estamos a trabalhar nisso.
CL – Os vossos monitores, que acompanham as sessões, têm uma preparação especial, uma formação?
AM – Sim, estamos catalogados no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e somos treinadores. A formação que existe para a Equitação Terapêutica resulta de algumas sessões de formação que se vão dando, alguns workshops.
CL – Quem é que dá essas formações?
AM – São centros hípicos que contam com formadores e que dão este tipo de formações.
FA – Contamos com pessoas preparadas para lidar com os cavalos. Depois temos as pessoas que vão ao lado, que estão a tratar das necessidades específicas de cada aluno. Ou seja, estão a trabalhar a parte cognitiva, a fazer jogos específicos para cada pessoa. E temos ainda os terapeutas que acompanham os grupos e os voluntários, que trabalham com pessoas com menores necessidades, cuja incapacidade não exige tanto acompanhamento.
CL – Existem exercícios e métodos específicos para cada utente. Como é estabelecido o plano de sessões para cada um destes casos?
AM – Inicialmente, para definirmos os objectivos, perguntamos sempre ao terapeuta quais são as características do trabalho que pretendem realizar. Muitos utentes, na escola ou na instituição onde são acompanhados, também já trabalham em função de um objectivo.
Por exemplo, temos jogos com saquinhos, quatro sacos, cada um de sua cor. Com estes sacos, podemos trabalhar as cores, os números, a coordenação motora, atirar, agarrar, trabalhar os pesos. Ou seja, os jogos são adaptados a cada objectivo.
Nos casos daqueles utentes que já têm capacidade para ser autónomos, já puxamos mais a parte da chamada equitação tradicional normal.

“O CAVALO TEM UM CAMPO MAGNÉTICO MUITO FORTE”
CL – Já referiu que o cavalo é utilizado como se fosse uma marquesa…
FA – Tem muito a ver com o cavalo em si. O cavalo tem um campo magnético muito forte e isso tem um impacto importante no tratamento.
AM – Habitualmente, nós temos uma capacidade motora normal. Portanto, não notamos, mas se for uma pessoa que não está habituada a montar a cavalo, no dia seguinte diz: “É pá, doem-me mesmo as pernas.” Uma pessoa parece que não vai ali a fazer nada, mas aquele movimento estimula os músculos e o cérebro. Eu acho que, essencialmente, o principal benefício desta actividade é a descontracção obtida, física e mentalmente.
Fisicamente, é bom, mas associado a outras terapias. Não é só vir aos cavalos como se fosse milagroso. Não é, isso não existe. Mas há pessoas cuja postura não permite montar nem sentado nem de costas e que vão ali deitadas de barriga para baixo, a sentir o estímulo do cavalo, o movimento, a sentir o calor do animal, a conseguir relaxar.
FA – Como eu disse, isto tem tudo a ver com o cavalo. Os cavalos são muito sensíveis, eles sabem quem está nas suas costas e actuam em relação à pessoa em si. Eles sabem e reagem em relação às capacidades e energia da pessoa que os está a montar.
AM – Nós temos aqui cavalos em que, às vezes, a pessoa vai mais torta e eles param. As pessoas nem sempre percebem por que razão o cavalo está a parar, mas ele está parado porque a pessoa que o está a montar vai desequilibrada. São animais que têm qualquer coisa de especial.
CL – Quantos cavalos usam nestas sessões?
FA – Actualmente, usamos cinco.
CL – Como se chamam?
FA – São: a Zara, o cavalo branco; a Morana, que é a maior; a Tina, que é a mais pequenina, e também a mais velhinha, com 31 anos; a Stella, que tem 16/17 anos; e a Flora, a mais recente, com 11/12 anos.
CL – São todos éguas?!
AM – É uma curiosidade. Não é necessário que sejam só éguas.
CL – Os cavalos aqui usados têm algum treino específico? São cavalos com características diferentes dos restantes?
AM – São cavalos escolhidos. Tem a ver com a altura, do que é que nós precisamos, se é um cavalo baixo ou mais alto, de acordo com a necessidade dos cavaleiros. E tem também a ver com o temperamento, se é um cavalo dócil, se é um cavalo que já deu lições, com experiência, se é um cavalo que não se assusta. Esta é a primeira selecção que é feita.
A seguir, tentamos perceber os andamentos. Como 80 por cento dos nossos alunos andam só a passo, que é o andamento mais lento do cavalo, convém termos um cavalo com um bom passo, que bascule e que estimule a pessoa.
Também convém ter um cavalo que tenha um passo, se calhar, um bocadinho mais curto, para pessoas que têm pouco equilíbrio. Temos de adaptar um bocadinho os cavaleiros ao cavalo que temos. Além disso, os cavalos precisam de ser treinados, acabam por aprender pela repetição.
CL – Em termos de raça, são lusitanos?
AM – A Zara é a única lusitana. O resto são cavalos cruzados.

“PRECISAMOS DE CAVALOS, TERAPEUTAS E MAIS VOLUNTÁRIOS”
CL – Qual é o utente mais novo e o mais idoso que têm aqui?
FA – Temos desde crianças a partir dos quatro anos até adultos na casa dos 50 anos.
CL – Das várias experiências que têm tido aqui, qual foi a situação mais complicada que tiveram de acompanhar?
AM – A maior dificuldade que nós temos é quando eles não querem montar, perceber se não querem porque têm medo, porque não simplesmente querem, ou porque não gostam, ou por ser o desconhecido. Alguns, se nós não insistirmos, não montam, mas há casos em que não querem, não querem, mas quando um dia o fazem gostam imenso e não querem parar. Esta aproximação ao cavalo pode não ser fácil, porque há muitos utentes que não comunicam, existe uma ausência de comunicação. Nestes casos, é preciso perceber como é que vamos conseguir fazer a aproximação ao cavalo, estabelecer o contacto, fazer com que aceitem experimentar, tornear esta dificuldade.
CL – Qual é a duração de cada uma das vossas sessões?
AM – Em média, são 20 minutos.
CL – Existe um custo associado? Quanto é que custa uma sessão?
FA – As pessoas vêm através das instituições, ou das escolas. Então, elas pagam um valor simbólico, que é 30 euros por mês, por 4/5 sessões. Nós sobrevivemos com donativos. E realizamos eventos para angariação de fundos.
CL – A vossa receita provém exclusivamente de donativos e do valor das quotas pagas pelos associados?
FA – Exactamente. A contribuição do IRS tem ajudado, tem um impacto importante para nós. Nós somos uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). As pessoas recebem o recibo e descontam no IRS.
CL – Quais são as vossas necessidades mais imediatas?
FA – A nossa grande dificuldade foi perder o telhado das boxes nas tempestades ocorridas em Novembro de 2025. Ainda não temos telhado. Outra dificuldade é o estado em que está a rua para aqui chegar. Para entrar no nosso espaço, o acesso, que é de terra batida, com a chuva costuma acumular muita lama, o que pode dificultar muito aqui chegar.
AM – No telhado das boxes era precisa uma ajuda, uma resposta mais rápida. A questão do telhado está entregue à companhia de seguros, que já disse que sim, mas ainda não conseguiu dar resposta. Continuamos à espera dessa resposta.
FA – Quanto ao resto, precisamos de cavalos, de terapeutas e de mais voluntários.
CL – Têm uma campanha para voluntários. Falem-nos disso.
FA – Temos voluntários que vêm, alguns em resultado de informação que passa boca-a-boca, mas também usamos um sistema ligado à CMC, que analisa e canaliza voluntários que nos são enviados. Isso funciona muito bem do ponto de vista que eles fazem uma filtragem para apurar aqueles que querem mesmo fazer voluntariado e não vir apenas num momento ou noutro. Eles questionam os candidatos para perceber quem é melhor para cada instituição. Estamos a trabalhar bem com a CMC, mas precisamos sempre de mais voluntários.
CL – Quais são as características que os candidatos a voluntários devem ter?
FA – A mais importante é a vontade de ajudar. Obviamente, precisamos de pessoas com conhecimento de cavalos.
AM – Convém terem capacidade física, porque é preciso andar aqui três horas ao lado do cavalo, prestar apoio ao cavaleiro. Não é fácil, já aconteceu termos aqui pessoas com dificuldades, que não conseguem. Portanto, a ideia é conseguir ajudar sem precisar de ser ajudado. E ter responsabilidade, para não faltar quando estamos a contar com eles. Isso pode inviabilizar toda uma sessão. Em resumo, é necessário ter vontade e atitude, e ter também capacidade de comunicação, de lidar com pessoas com algum tipo de deficiência. No nosso site temos uma ficha de inscrição para voluntários.
CL – Realizam campanhas de angariação de fundos. Qual foi o evento mais recente?
FA – O mais recente foi um jantar beneficente com música e um show equestre realizado dia 21 de Novembro de 2025 no restaurante O Picadeiro, na Quinta da Marinha. Tivemos a presença de 80 pessoas e angariámos cerca de 17 mil euros.

CL – Recentemente, um dos utentes da AHT participou num concurso equestre com assinalável sucesso…
FA – Sim, foi o Pedro Silva, que ganhou um prémio no Special Olympics, uma competição para pessoas com diferenças cognitivas. Já tivemos outros utentes medalhados nesta e em outras provas.
CL – Preparam pessoas para participarem neste tipo de provas?
FA – Sim, realizamos essa preparação. Existe o Special Olympics a nível internacional, mas estas últimas provas decorreram em Portugal, a nível nacional. As instituições, por norma, especialmente as CERCI’s, é que inscrevem os participantes. Cada vez que há provas, focamo-nos mais nelas, é um bocadinho a evolução do que eles fazem aqui. No caso do Special Olympics, realizam-se dois tipos de provas, uma gincana e uma prova de condução. Quando sabemos qual é o percurso treinamos com eles.
CL – Um sonho por realizar pela Associação?
FA – Neste momento, estamos a trabalhar das 9h00 às 12h00, com mais ou menos 100 alunos por semana. Se recebêssemos um apoio para isso, gostaríamos de poder duplicar esse número a trabalhar também durante a parte da tarde, como já referi. Para poder explorar mais o que temos, ter a nossa própria terapeuta, melhorar e alargar o nosso horário de funcionamento. Poderíamos trabalhar também ao fim-de-semana. Estamos a contactar a CMC para ver se isso é possível. O meu sonho é ter uma fonte de rendimento sustentável para poder desenvolver o âmbito do projecto. Para fazer isso, há muitos modelos diferentes, que podíamos utilizar aqui se tivéssemos recursos para tal.
A nova direcção da AHT foi eleita em Março e estamos a entrar numa nova fase de desenvolvimento de organização. A primeira coisa a fazer é pôr a infraestrutura em dia, assegurar a estabilidade financeira, assegurar uma fonte de rendimento sustentável. Temos sempre falta de dinheiro.
AM – É um custo elevado ter os cavalos parados. Seria bom que estivessem ocupados. Recebemos pedidos para termos mais sessões com mais grupos e nós não temos capacidade de os receber. Se tivéssemos um grupo para trabalhar à tarde seria bom ter mais voluntários disponíveis para colaborar connosco.

PLANOS DA DIRECÇÃO
A nova direcção da AHT, eleita em Março passado, revela as linhas gerais do plano que tem previsto desenvolver em cinco anos: “Os primeiros anos serão para estabilizar a instituição, garantir que tudo corre bem, que temos voluntários suficientes, que há formação a decorrer, que temos um excelente instrutor. Desejamos melhorar. Depois disso, queremos crescer, temos um plano financeiro. Neste momento, dispomos de cerca de 60 a 80 mil euros por ano, que precisamos de gerir. É mais ou menos aí que estamos agora. Queremos aumentar o dinheiro que recebemos para depois podermos oferecer serviços extra. Há muita terapia equestre que está a ganhar terreno, onde há terapeutas que trabalham com pessoas idosas, pessoas autistas, crianças que tiveram contacto com a polícia e que têm uma vida difícil… Os cavalos ajudam muito a regular o sistema, a manter as pessoas calmas e envolvidas. Por isso, depois de 18 meses, talvez dois anos, de fundação e construção interior, queremos expandir-nos. Essa será a fase intermédia, quando vamos oferecer diferentes serviços para ir ao encontro do que a comunidade precisa para se ligar mais a Cascais. Pretendemos continuar a expandir as nossas instalações para podermos aumentar o número de sessões e serviços prestados.”























