Bombeiros do Dafundo têm Ambulância SOS PET

A ideia de criar no concelho de Oeiras um serviço especial de transporte de animais doentes e/ou maltratados em situação de emergência numa viatura adaptada especialmente para o efeito rapidamente se transformou em realidade para os Bombeiros Voluntários do Dafundo. Fique a conhecer melhor este projecto pioneiro na edição em papel de Maio do nosso jornal.

A ideia de criar no concelho de Oeiras um serviço especial de transporte de animais doentes e/ou maltratados em situação de emergência numa viatura adaptada especialmente para o efeito rapidamente se transformou em realidade para os Bombeiros Voluntários do Dafundo. O projecto, pioneiro em Portugal, tem conquistado um espaço próprio na agenda de serviços da corporação. Ao longo dos últimos dois anos, as solicitações têm vindo a aumentar e começa a levantar-se a hipótese de o serviço poder vir a ser reforçado com mais meios para dar resposta aos muitos pedidos recebidos. Para já, os donos e amigos dos animais a precisar de transporte e assistência mostram-se satisfeitos com a iniciativa lançada pelos ‘soldados da paz’, que não escondem também o orgulho pelas mascotes à sua guarda.

De acordo com informação avançada pelo comandante da corporação, este serviço inovador “tem sido um sucesso junto da população”. “Possuímos um veículo adaptado com todas as condições para o socorro e transporte de animais, a Ambulância SOS PET”, explica Carlos Jaime Santos, adiantando que a equipa que lidera tem colaborado no transporte de animais aos veterinários, atendendo a que “existe muita população idosa sem condições para efectuar o transporte pelos próprios meios”. O transporte de cães e gatos em ambulatório é o serviço mais comum, mas os Bombeiros Voluntários do Dafundo prestam socorro a todo o tipo de animais. “Recebemos muitos pedidos de socorro para aves e já chegámos a transportar uma cabra anã para o Hospital da Faculdade de Medicina Veterinária, na Ajuda”.

A ideia de criar um serviço especial de transporte de animais surgiu no seguimento de uma conversa com o vereador Nuno Neto, responsável na Câmara Municipal de Oeiras pelos pelouros dos Recursos Humanos, Ambiente-Serviço Veterinário e de Saúde Pública, Património e Reabilitação Habitacional. “A ideia partiu do facto de vivermos num concelho onde há um rácio significativo de animais de estimação”, justifica Carlos Jaime Santos, adiantando que a corporação está a colaborar com todas as instituições que solicitam apoio. “Temos 11 elementos formados com o Curso de Primeiros Socorros em Animais de Companhia, ministrado pela Empresa Instituto Monitor, e com o Curso de Abordagem a Animais Errantes e Vadios”, sublinha o comandante. 

GAIVOTA EM APUROS E ANIMAIS ATROPELADOS

A viatura adaptada a ambulância para animais foi cedida pela autarquia liderada por Isaltino Morais, com a qual os Bombeiros Voluntários do Dafundo têm um protocolo para assegurar o serviço, que pode ser requisitado por qualquer munícipe. “Funciona 24 horas por dia através de uma chamada telefónica (214 196 084) para o nosso Corpo de Bombeiros e por enquanto é um serviço gratuito”, informa Carlos Jaime Santos. Entre as ocorrências registadas nestes dois anos de actividade, um dos episódios mais curioso ocorreu quando “a corporação recebeu uma chamada telefónica para resgatar e socorrer uma gaivota presa em redes de pesca na Praia de Santo Amaro de Oeiras, com o transporte a ser efetuado para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, situado no Parque Florestal de Monsanto”. 

Até à data, a equipa de colaboradores que assegura o serviço prestado pela Ambulância SOS PET não tem deparado com grandes dificuldades no transporte de animais em situação de emergência, mas nem tudo corre sempre como todos gostariam. “A verdade é que, por vezes, sentimos falta de compreensão da parte de quem solicita o serviço. Uma situação que nos causa alguma dificuldade é a exigência dos donos em relação aos horários. Ao mais pequeno atraso não são compreensíveis connosco, mesmo tratando-se de um transporte gratuito”, queixa-se o comandante da corporação, que conta já com três mascotes. “São os nossos três cães, a Fénix com 10 anos, o Miúdo com 11 anos e o Júnior com 3 anos.” 

Neste momento, a corporação tem à sua guarda candidatos para serem adoptados por pessoas que desejem ter um animal de estimação e mostrem capacidade para o acarinhar e bem-tratar. “Temos duas meninas de raça indefinida para adopção no nosso quartel, a Jéssica e a Maria, que foram resgatadas no Jardim de Oeiras num dia de chuva. Estavam amarradas com uma corda a uma árvore com sinais evidentes de maus-tratos. Estão chipadas e com as vacinas em dia e aguardam uma família que lhes dê muito amor e carinho”, anuncia Carlos Jaime Santos. Apesar de depararem com situações destas, o comandante é da opinião que os direitos dos animais estão assegurados em Portugal e que as pessoas estão mais atentas às necessidades dos bichos à sua guarda. “Há uma maior preocupação com os direitos dos animais, com o seu bem-estar e até com a estética do animal de companhia”, assinala.

AGREDIDO PELO DONO COM BANCO DA COZINHA

Todavia, ainda ocorrem algumas situações de maus-tratos infligidos a animais que têm de ser relatadas às autoridades competentes para que os responsáveis por tais actos criminosos possam ser devidamente punidos. “Infelizmente ainda ocorrem situações dessas. O primeiro serviço efectuado por nós foi precisamente o socorro e transporte de um cão agredido pelo dono com um banco da cozinha, sendo que o animal sofreu um esmagamento ocular e evidenciava diversas lesões graves pelo corpo. Solicitámos a presença da PSP de Oeiras e do Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN). Foi uma situação muito comovente para quem gosta de animais, todos os intervenientes choraram, inclusive a dona, que denunciou o próprio marido”.

As situações mais complicadas com que a equipa se tem deparado referem-se a animais atropelados, que apresentam diversas fracturas ou, inclusive, já são encontrados cadáveres. “Animais que já não conseguimos salvar e cujos cadáveres são transportados para o canil afim de serem cremados”. Neste caso, o transporte é efectuado por uma viatura própria do canil, esclarece o comandante dos Bombeiros Voluntários do Dafundo, que dá nota das expectativas que tem para o futuro do serviço de transporte de animais em situação de emergência: “Queremos manter o serviço à comunidade e ao Município de Oeiras, pois fomos pioneiros neste tipo de iniciativa, o que muito nos orgulha. Somos um Corpo de Bombeiros que adora animais”, afiança Carlos Jaime Santos, apostado em reforçar a aposta na Ambulância SOS PET.

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