A nova Escola Secundária de Cascais, inaugurada dia 21 de Setembro, representou um investimento de 34 milhões de euros, cofinanciado em grande parte por fundos europeus provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Encerrou-se, assim, um ciclo de mais de 50 anos a funcionar em instalações provisórias.
O novo estabelecimento de ensino edificado na Av. Pedro Álvares Cabral, no Bairro do Rosário, tem capacidade para receber 1.320 alunos, conta com 44 salas de aula e inclui nas suas instalações laboratórios, biblioteca, auditório, refeitório, pavilhão polidesportivo e espaços dedicados a pessoal não docente.
A cerimónia de inauguração oficial, revestida de pompa e circunstância, envolveu a realização de dois eventos e teve um custo de 175 mil euros. Este valor gasto pela Câmara Municipal de Cascais (CMC) foi criticado nas redes sociais e profusamente assinalado nos órgãos de Comunicação Social.
A nova Escola Secundária de Cascais vem substituir um edifício inaugurado em Maio de 1975, cujas instalações estavam já bastante degradadas. A nova infraestrutura, há muito desejada, veio permitir aumentar o número de alunos, que passaram a dispor, também, de melhores condições de estudo.
A cerimónia de inauguração contou com as presenças do Presidente da República, António José Seguro, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do Ministro da Educação, Fernando Alexandre, entre outras individualidades convidadas pelo executivo camarário cascalense liderado por Nuno Piteira Lopes.
A apresentação oficial da nova escola, que começou com o descerramento de uma placa inaugural e a bênção das instalações a cargo do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, foi também presenciada por alunos, famílias dos estudantes, professores, funcionários da escola e representantes de várias entidades.

UM DIA FELIZ PARA CASCAIS
“Há 50 anos que Cascais esperava pelo dia de hoje. Um dia feliz para Cascais, para o País e para a Europa. Estão investidos 34 milhões de euros na nova escola, dos quais 24 milhões foram cofinanciados através de fundos do PRR”, referiu Nuno Piteira Lopes durante a sua intervenção no dia da inauguração.
“Esta obra tem um impacto gigante em todas as pessoas que vão usufruir dela, mas também para todos os cascalenses. Para os jovens: usem a escola, vivam a escola, usufruam da escola, não se esqueçam de ler, mas, acima de tudo, a escola também é um espaço que reforça a nossa democracia”, acentuou o autarca.
“Este é um investimento de vários que são ainda necessários em Cascais e na região de Lisboa e Vale do Tejo, para conseguirmos garantir, de facto, uma educação de qualidade a todos os cascalenses e a todos os portugueses”, sublinhou o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
Associando a inauguração da nova escola ao arranque do novo ano lectivo, Luís Montenegro aproveitou a ocasião para deixar uma mensagem aos estudantes: “Hoje, ao saudar esta comunidade educativa de Cascais, quero também saudar todos os estudantes portugueses que neste dia iniciam o Ensino Secundário.”
“Desejo que, nesta nova escola, muitos cascalenses continuem a encontrar os instrumentos para seguirem as suas vidas. E desejo, também, a todos os demais alunos do País que tenham um bom ano escolar, que estudem e se qualifiquem com vista ao seu futuro”, frisou o Primeiro-Ministro.

CONDIÇÕES DIGNAS DE APRENDIZAGEM
“Esta escola é uma obra de Cascais, mas é também parte de um esforço nacional e, devemos acrescentar, da União Europeia, que tem como objectivo primeiro dar às nossas crianças e aos nossos jovens condições dignas de aprendizagem”, realçou António José Seguro.
“Uma escola não é somente o edifício onde se aprende. É, igualmente, o lugar onde uma sociedade decide, todos os dias, que futuro quer oferecer à geração seguinte. Uma tarefa à qual os pais não se podem excluir e delegar em exclusivo nas escolas”, destacou o Presidente da República.
“E é aqui que começa a nossa responsabilidade. A nossa do Governo, a nossa do Presidente da República, a nossa da Assembleia da República”, atestou o Chefe de Estado, recordando que “o sistema educativo está a atravessar uma transformação que nos obriga a repensar a própria escola”.
“Essa mudança só pode ser feita com quem todos os dias a constrói. Os professores, os alunos, as famílias e todos os profissionais que lhes dão apoio. Os professores são a força motriz dessa transformação. Conhecem as salas de aula, acompanham os alunos, reconhecem dificuldades e descobrem talentos”, lembrou António José Seguro.

CUSTOS SALTARAM PARA 34 MILHÕES
No final de 2019, aquando da divulgação dos resultados de um concurso público destinado à elaboração do projecto de arquitectura para a nova Escola Secundária de Cascais, a que concorreram 28 candidatos, foi anunciado um investimento de 11,4 milhões de euros. Este valor viria a subir para uma estimativa de 20 milhões de euros, seguido de mais um aumento para um custo elegível de 25.850.000 euros, indicado em Junho de 2023. Finalmente, o investimento acabou fixado em 34 milhões de euros, referidos por Nuno Piteira Lopes no dia da inauguração do novo estabelecimento de ensino. Dos quais, 24 milhões cofinanciados através de fundos disponibilizados pela União Europeia provenientes do PRR.
De acordo com a documentação publicada no portal BASE, que centraliza a informação sobre os contratos públicos celebrados em Portugal, a elaboração do projecto de arquitectura destinado à construção da nova escola custou 829.020,00 euros (674.000,00 + 155.020,00 de IVA), tendo sido adjudicado, por ajuste directo, a um consórcio formado por duas empresas, mais concretamente Pedro Matos Gameiro Arquitecto, Lda. e Bugio II, Arquitectura, Unipessoal, Lda., ambas com capital social de 5 mil euros.
Em 2019, o júri considerou que, das 28 propostas concorrentes apreciadas, a vencedora, da autoria de Matos Gameiro Arquitectos (Pedro Matos Gameiro) + Atelier Bugio (João Favila Menezes), destacou-se pela “grande coerência tipológica e morfológica, apresentando uma clara separação dos núcleos funcionais, mantendo uma forte e eficaz ligação entre a totalidade dos espaços”. O Júri acrescentou ainda que “a aparente simplicidade da proposta – baseada num pátio central, com galerias exteriores em torno deste, através das quais se acede às salas de aulas nos pisos superiores – é enriquecida pela disposição dos volumes no piso térreo onde se instalam as áreas comuns”.






















