A equipa de sub-23 do Clube Atlético de Queluz (CAQ) conquistou o título de campeã nacional da CN2, depois de ter vencido a Zona Sul da competição e assegurado a subida ao Campeonato Nacional da 1.ª Divisão (CN1). Sob o comando de André Stratoudakis, os queluzenses concluíram uma época de sucesso, alcançando objetivos há muito ambicionados. O feito ganha particular relevância por ter sido alcançado com um plantel maioritariamente composto por atletas formados no clube, confirmando a aposta contínua do CAQ na formação e valorização dos seus jovens jogadores.
Para o treinador, estas conquistas representam “a validação do projeto e do caminho estratégico que o clube tem vindo a construir”, destacando que “o grupo acreditou desde o início que tinha qualidade para alcançar estes resultados”. André Stratoudakis faz ainda questão de sublinhar o papel de vários atletas de referência para o clube que podem ter realizado a sua última época ao serviço do mesmo. “Quer por limite de idade, quer por decisões de cariz pessoal, sabiam que poderiam estar no seu último ano a vestir a camisola do Queluz enquanto jogadores e, ainda assim, respeitaram sempre a seriedade e profissionalismo que define esta equipa.” Por isso, admite que “este desfecho teve um sabor especial também por eles” e deixa uma palavra de gratidão a um grupo que ajudou a concretizar um objetivo coletivo.

Apesar da campanha vitoriosa, o treinador identifica os momentos mais difíceis como decisivos para o sucesso alcançado. “Os momentos decisivos não foram necessariamente as vitórias, mas sim a forma como a equipa reagiu às derrotas que teve ao longo da época.” As três derrotas sofridas durante a fase regular e o desaire no primeiro jogo da final nacional revelaram-se importantes para o crescimento do grupo. “A reação da equipa em cada uma dessas situações foi muito positiva: manteve-se equilibrada, trabalhadora, unida e focada em encontrar soluções.”
Com efeito, para o treinador, um dos aspetos determinantes para a concretização dos objetivos traçados foi a capacidade da equipa para manter os níveis de exigência elevados ao longo de toda a época. “Nunca tomámos nada como garantido. Procurámos manter sempre um nível elevado de exigência no treino coletivo, na preparação física e no desenvolvimento individual dos jogadores, independentemente do grau de dificuldade do adversário seguinte.”. A identidade de jogo também teve um peso importante na campanha dos queluzenses. “Procurámos competir sempre a um ritmo muito elevado, tanto defensiva como ofensivamente, dando liberdade aos jogadores para encontrarem soluções dentro do jogo e expressarem a sua qualidade individual.”

André Stratoudakis destaca ainda a progressão evidenciada pelos atletas ao longo da época. “A primeira derrota, aconteceu cedo, numa fase em que a equipa ainda se estava a conhecer e a criar rotinas. Depois desse início menos limpo, a resposta dos jogadores foi muito boa, e a partir daí senti uma evolução estável, tanto individual como coletiva” refere, apontando como exemplos as chamadas às seleções nacionais, a integração de atletas na equipa principal, as melhorias físicas e a capacidade demonstrada em momentos de decisão. “Para mim, isso é motivo de orgulho e um sinal claro de que estamos no caminho certo.”
Em termos estatísticos, a equipa somou 23 vitórias e apenas três derrotas em 26 jogos. Ainda assim, André Stratoudakis considera que os números não contam toda a história da época desportiva. O treinador lamenta, aliás, que “nesta divisão o recurso à estatística detalhada e à gravação dos jogos ainda seja muito escasso”, uma realidade que, na sua opinião, “acaba por limitar, em parte, a qualidade da análise e do trabalho desenvolvido”. Além disso, sublinha que os dados disponíveis não refletem totalmente a exigência competitiva enfrentada pelo grupo: “Mais de metade da equipa competiu também no campeonato Sub-21, onde somou mais 18 jogos e uma parte do grupo esteve também integrada na equipa sénior, que realizou mais 29 jogos.”

Quanto aos destaques individuais, André Stratoudakis prefere valorizar o coletivo, considerando que “o grande mérito deste grupo esteve na forma como diferentes jogadores foram assumindo responsabilidades ao longo da época”. Ainda assim, evidencia os atletas que integraram regularmente a equipa sénior, por terem “trazido maturidade, exigência e capacidade competitiva”, bem como os jogadores das gerações de 2003 — António Filipe, Duarte Meném e Tomás Costa— e de 2006 — André Rodrigues, Gustavo Fonseca, Nuno Sousa, Rodrigo Faneco e Salvador Silva. “São gerações com títulos nacionais e regionais pelo clube na formação e que carregam uma enorme cultura do Queluz”, afirma o treinador, sublinhando que “essa ligação à nossa identidade foi sempre muito importante ao longo da época, não só pelo rendimento dentro de campo, mas também pela liderança, compromisso e pela forma como ajudaram a transmitir aos restantes colegas os valores e a exigência competitiva que pretendemos manter.”
Com estas conquistas, os sub-23 do Clube Atlético de Queluz encerram uma época triunfante e dão continuidade a um projeto que continua a apostar na formação como base do seu crescimento desportivo.
NOTA: Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico























