António de Sena: “A saga do Povo Lusitano deslumbra-me e motiva-me”

António de Sena é um entusiasta da História de Portugal. Poeta, escritor, patriota convicto e estudioso dedicado do passado do País, idealizou um projecto para criar um parque temático destinado a enaltecer os grandes feitos alcançados ao longo da nossa História comum, a que deu o nome de ‘Portugal Histórico-Cultural’.

No sublinhado das suas palavras, “esta cidade-museu, de cariz eminentemente histórico-cultural, pretende contar a Portugal e aos povos de todo o Mundo o que foi a gloriosa Saga do Povo Lusitano, enaltecendo os seus heróis e os seus feitos únicos, dos quais todos nos devemos orgulhar”.

No que diz respeito ao projecto idealizado, em termos de infraestruturas a serem criadas, propõe-se que a Epopeia da Nação Lusíada possa ser distribuída por 22 pavilhões temáticos, “que funcionarão como minimuseus interactivos, com orgânicas e temas próprios”, segundo os materiais que ali vão ser expostos.

Prevê-se, também, a exposição de embarcações históricas, nomeadamente réplicas de caravelas da época dos Descobrimentos e a Fragata D. Fernando II e Glória, numa marina que será construída especialmente para o efeito, e também para servir de apoio à realização de várias provas e festivais náuticos. 

O jornal ‘O Correio da Linha’ esteve à conversa com o criador deste projecto grandioso, ambicioso, que ainda não tem um espaço seleccionado com vista à sua implantação. António de Sena tem previsto fazer alguns contactos nesse sentido, não escondendo a sua preferência pela região de Lisboa. Fique a saber tudo nas próximas linhas.

Foto: Paulo Rodrigues

ORGULHO PATRIÓTICO

Jornal ‘O Correio da Linha’ (CL) – Qual foi a razão que o levou a decidir criar o projecto ‘Saga do Povo Lusitano’?

António de Sena (AS) – Um enorme orgulho patriótico, uma educação histórico-cultural e linguística, a leitura dos clássicos desde tenra idade. Estava habituado a ouvir o meu pai declamar Camões, ‘Os Lusíadas’, e poemas, como ‘Aqui é Portugal’, de António Lopes Ribeiro, e o ‘If’, de Rudyard Kipling. E fui influenciado, também, pelo facto de ter realizado várias viagens de estudo por todo o País, a monumentos, conventos, mosteiros, estátuas, etc..

CL – Tomámos conhecimento de que gostaria de implementar este Parque Histórico e Cultural de Portugal em Oeiras. Mantém essa intenção, ou tem várias hipóteses de localização em aberto? Entre Oeiras e Lisboa, qual a localização preferida para a implementação do projecto?

AS – Quer Lisboa, quer Oeiras, penso que serão lugares preferenciais, já que têm uma frente ribeirinha, o que é um “must” para o projecto. Além de serem de mais fácil acesso, tanto para visitantes nacionais como para turistas estrangeiros.

CL – Quais os principais critérios para escolher a localização do Parque?

AS – Ocupar uma frente ribeirinha que permita fundear caravelas do tempo dos Descobrimentos, a Fragata D. Fernando e Glória, e, eventualmente, o navio-escola Sagres para realizar visitas guiadas.

Será igualmente importante estar próximo da Torre de Belém, do Padrão dos Descobrimentos e do Mosteiro dos Jerónimos, além de ter um rápido acesso ao terminal de cruzeiros, à estação de comboios de Santa Apolónia, ao Cais do Sodré, Belém e Cruz Quebrada.

CL – Está prevista a construção de uma marina de apoio para a realização de provas e festivais náuticas? Pode avançar alguma informação sobre essas provas e festivais?

AS – É necessário que o local escolhido para a implantação do Parque possa permitir a construção de uma marina com diversos apoios e estruturas, para a realização de provas náuticas desportivas, como remo, motonáutica, vela e canoagem, modalidades em que temos campeões olímpicos e mundiais. Não se percebe como nenhumas, ou bem poucas, provas destas são realizadas no rio Tejo.

CL – Já contactou algumas entidades (Câmaras Municipais ou outras) para levar por diante o Projecto?

AS – Não fiz ainda a entrega formal do projecto, que já se encontra todo detalhado, a nenhuma das referidas câmaras municipais, apesar de já o ter completado e registado na Inspecção-geral das Actividades Culturais (IGAC) desde 2 de Abril de 2025, com o número 411/2025.

CL – Qual o custo estimado do investimento? Quanto tempo prevê demorar a construção do Parque? Qual a área que está previsto ocupar? Quantos postos de trabalho poderá criar?

AS – Afigura-se ainda muito prematuro abordar aspectos técnicos, financeiros e operacionais, os quais, no meu entender, deverão ser da competência específica de uma comissão organizadora que venha a integrar técnicos dessas especialidades específicas.

Foto: Paulo Rodrigues

VÁRIAS FONTES DE RECEITA

CL – Quais serão as fontes de receita do Parque?

AS – Nos vários itens que compõem o projecto, estão contempladas diversas fontes de receita. A saber: angariação de patrocínios para cada pavilhão-museu; alugueres de outros pavilhões das regiões de Turismo nacionais, as quais terão as suas fontes de rendimento próprias, através da venda de peças de artesanato, roupa, chapéus, instrumentos musicais, souvenirs e instrumentos, bem como gastronomia regional; verbas decorrentes das entradas de visitantes (individuais, grupos, visitas de estudo, escolas, ou entradas especificas para um determinado número de pavilhões), de acordo com a política de preços que vier a ser estipulada pela organização; licenças para vendedores ambulantes e outras que vierem a ser consideradas.

CL – Que estruturas de apoio estão previstas?

AS – Cadeias de fast food, vendas de farturas, churros, etc; casa de câmbio; banco; posto médico e primeiros socorros; bombeiros-piquete de urgência; heliporto com helicóptero para evacuações urgentes; piquete permanente de polícia municipal e seguranças; pavilhão multiusos para organização de todo o tipo de espectáculos, eventos empresariais, meetings, palestras, etc, e exibição de espectáculos de arte equestre para divulgação do cavalo lusitano e da coudelaria de Alter.

CL – Está prevista a exibição de réplicas de monumentos importantes?

AS – Damos primazia à realidade virtual e multimédia para conseguir animar os pavilhões-museus, recriando os métodos de navegação e os Descobrimentos, batalhas, trajes e fardamentos, frescos históricos, estátuas, fachadas de museus e basílicas, e demais adereços históricos que façam parte do espólio dos museus existentes no País e que não possam ser disponibilizados para exibir nos pavilhões-museus.

Estou convencido de que o recurso a estas novas tecnologias será muito mais motivador para novos fluxos e mercados de visitantes, assim como as redes sociais, que deverão ser utilizadas como recurso para divulgação do Parque no País e no Mundo.

CL – Refere na apresentação do seu projecto que o Parque poderá contar com a exibição de embarcações históricas, nomeadamente a Fragata D. Fernando e Glória. Já manteve contactos nesse sentido com as entidades responsáveis pela cedência dessas embarcações?

AS – Existe apenas um desiderato sem que se tenha processado qualquer tipo de contacto junto das entidades oficiais e Marinha.

Foto: Paulo Rodrigues

SAGA E GESTA DO POVO LUSITANO

CL – É um estudioso do passado do nosso País. Quais os episódios da História de Portugal que mais valoriza?

AS – Toda a saga e gesta do Povo Lusitano deslumbram-me e motivam-me. Porém, como amante do mar, da Marinha, dos barcos e da História dos Descobrimentos, é isso que mais me deslumbra e que valorizo.

CL – O projecto contempla um espaço especial dedicado aos heróis da nossa História. Pode enumerar alguns deles, entre aqueles que vão estar representados no Parque?

AS – O projecto contempla mais de 20 pavilhões-museus temáticos. Tive como principal preocupação levar à exaustão o tributo da evocação de todos os heróis nacionais, desde a fundação do Condado Portucalense pelo nosso Rei D. Afonso Henriques.

CL – Constatámos que existem várias designações em consideração. Qual o nome do Projecto: ‘Cidade-Museu de Portugal’, ‘Saga do Povo Lusitano’, ‘Portugal Histórico-Cultural’ ou outro?

AS – Penso que o nome que melhor define o Projecto será “A cidade-Museu de Portugal, a Saga do Povo Lusitano”.

CL – Que tipo de parcerias, patrocínios, subsídios, fontes de receita conta ter?

AS – Estão consideradas várias parcerias, subsídios, patrocínios e demais fontes de receita, muitos dos quais me proponho angariar directamente, em função da minha larga experiência como empresário de sucesso de várias empresas na área da organização de eventos.

Proponho colocar toda esta experiência, adquirida ao longo de mais de 25 anos como empresário, ao serviço do projecto, no qual acredito piamente, convicto de que o mesmo será um marco relevante para transmitir às gerações vindouras o legado que nos foi deixado por esse leque de heróis nacionais, cuja memória, infelizmente, não temos sabido honrar e perpetuar.

Foto: Paulo Rodrigues

TURISMO E EVENTOS

António de Sena tem uma vasta carreira ligada ao Turismo, Aviação e Realização de Eventos. Foi representante de vendas e Relações-Públicas na Varig – Linhas Aéreas Brasileiras e assumiu o cargo de director comercial na El-Al – Linhas Aéreas de Israel.

Como empresário, foi proprietário de duas agências de viagens, a Sena Tours e a Central Tours, tendo como principal ‘core business’ a promoção e venda de viagens de incentivo ao estrangeiro destinadas a premiar os melhores quadros empresariais.

Foi, também, proprietário de duas empresas dedicadas à organização de eventos, a Promolândia – Criação e Produção de Eventos, com sede instalada em Lisboa, e a Ideias e Eventos, instalada na região do Algarve, mais concretamente em Vilamoura.

Autor: Luís Curado

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