Santa Casa da Misericórdia de Oeiras há 98 anos a ajudar pessoas

Em conversa com O Correio da Linha, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras (SCMO), Luís Bispo, refletiu sobre os 11 anos à frente da instituição e mais de três décadas de compromisso com o serviço à comunidade. Eleito em 2014 e empossado em 2015, Luís Bispo está a dois anos de concluir o ciclo permitido pela lei. Não obstante, acredita que ainda pode contribuir para a SCMO, sendo que, caso legalmente não seja possível continuar na liderança, considera envolver-se de outra forma, reafirmando o seu compromisso com a missão da instituição.

Com um percurso marcado pela expansão de serviços e inovação em áreas como a infância, a ação social, a saúde e o apoio à terceira idade, Luís Bispo caracteriza a SCMO como uma referência em resposta às necessidades da população mais vulnerável e também daqueles que procuram qualidade e humanização nos serviços prestados.

O Correio da Linha (CL) – Qual é a missão da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras?

Luís Bispo (LB) – A nossa missão é estarmos próximos daqueles que se encontram em situações de mais vulnerabilidade, atuando em diversas áreas: infância, terceira idade, saúde, ação social ou apoio aos sem-abrigo. Contudo, a nossa missão também abrange aqueles que nos procuram não por questões económicas, mas pela qualidade dos nossos serviços. Acreditamos que as dificuldades nem sempre estão relacionadas com a situação financeira; mesmo as pessoas com uma capacidade económica estável enfrentam desafios. A nossa missão é estar presente, identificando essas necessidades e oferecendo apoio onde for necessário.

Foto: Paulo Rodrigues

CL – No dia 8 de dezembro a SCMO celebrou o seu 98.º aniversário. Como foi assinalada a efeméride?

LB – Celebrámos de forma simples, mas significativa. Estas ocasiões servem para refletir sobre a nossa história e honrar aqueles que fizeram e fazem parte da SCMO. Como somos uma instituição de direção canónica, a celebração incluiu uma missa de ação de graças, dedicada a todos os que passaram por esta casa, aos nossos trabalhadores atuais e, especialmente, aos voluntários, que são a alma da Misericórdia.

As comemorações terminam com o nosso tradicional almoço de Natal para os funcionários. Este momento, realizados nas nossas instalações, é sempre muito especial e descontraído. É um evento de partilha, onde a Misericórdia contribui com alguns itens, mas cada funcionário traz algo, sejam bebidas, salgados ou doces. Juntos, desfrutamos de um almoço e passamos uma boa parte da tarde em convívio, reforçando os laços entre todos os que integram esta grande família.

CL – Como foi o seu percurso na Santa Casa da Misericórdia de Oeiras?

LB – Desde muito jovem, tive uma forte ligação ao voluntariado, algo que começou nos escuteiros e despertou em mim o gosto pelo serviço público. Foi com esse espírito que, há quase 30 anos, aceitei o desafio de integrar os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia. Tinha pouco mais de 20 anos e iniciei funções como vogal. Estive afastado dois anos, tendo regressado em 2000. Fui tesoureiro da instituição de 2001 a 2014, ano em que me candidatei pela primeira vez a Provedor.

CL – Qual o balanço que faz destes 11 anos enquanto Provedor da SCMO?

LB – Faço um balanço muito positivo. Quando assumi o cargo, a nossa atividade estava fortemente centrada na educação. Geríamos 15 equipamentos de infância. Além disso, já tínhamos uma presença relativa na área da terceira idade, com o Centro de Dia, o Apoio Domiciliário e um centro de convívio.

Durante a pandemia, a capacidade de resposta da Santa Casa foi posta à prova, e acredito que é em momentos difíceis que as instituições podem demonstrar a sua força e fazer a diferença. Assim, nesse período, abrimos um centro de acolhimento para pessoas sem-abrigo, num dos espaços que tínhamos fechado devido às restrições impostas pelo governo. Posteriormente, fomos desafiados pela Câmara Municipal de Oeiras (CMO) a implementar projetos inovadores, como o programa “Dois Dedos de Conversa”, onde voluntários telefonavam diariamente a idosos de forma a combater a sua solidão. Lançámos também o projeto “Aproximar Oeiras”, que se mantém até aos dias de hoje e que visa a prevenção e intervenção na solidão e isolamento de pessoas reformadas/idosas proporcionando-lhes atividades lúdicas. Este projeto foi premiado pela Fundação “la Caixa” do BPI, refletindo o reconhecimento do impacto positivo na comunidade.

Ainda durante esse período, começámos a gerir um apartamento de transição, no Alto da Loba, para sem-abrigo que procuravam retomar a autonomia e, mais tarde, criámos o primeiro hostel social do concelho, que permanece em funcionamento. Simultaneamente, ampliámos a resposta de apoio domiciliário, que passou a funcionar aos fins de semana, até às 20h, e começámos a fornecer jantares, algo que antes não fazíamos. Começámos também a trabalhar em parceria com a autarquia, em Porto Salvo, num terreno da Santa Casa da Misericórdia, para a instalação de uma unidade de cuidados continuados integrados, sendo que, paralelamente, a CMO vai aí construir um complexo de residências assistidas.

Ao longo destes 11 anos, conseguimos não apenas manter as nossas valências históricas, mas também expandir a nossa atuação, respondendo aos novos desafios sociais e inovando em várias áreas.

Foto: Paulo Rodrigues

PROJETOS QUE TRANSFORMAM VIDAS

CL – Quais os principais projetos de ação social desenvolvidos pela SCMO?

LB – A nossa resposta neta área é diversificada e centrada em iniciativas que promovem a autonomia e o apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade. Um dos nossos projetos principais é a Casa de Transição para sem-abrigo, um apartamento que acolhe três residentes em fase de preparação para uma vida autónoma. Aqui, os residentes, ainda acompanhados pelos nossos técnicos, aprendem a gerir a sua casa, cozinhar e cuidar das suas próprias necessidades.

Outro projeto significativo é o Hostel Social, que serve como um ponto de partida para pessoas em situação de sem-abrigo que estão prontas para iniciar um processo de autonomização. Para além disto neste espaço, com capacidade para 14 pessoas, oferecemos também apoio na procura de benefícios sociais, habitação, emprego e outras formas de inserção social. Complementando esta estrutura, temos os Centros de Acolhimento para sem-abrigo, localizados em Algés e Paço de Arcos que há mais de duas décadas fornecem refeições diárias a cerca de 80 pessoas, todos os dias do ano, incluindo feriados.

No que respeita ao apoio direto às famílias carenciadas, destacamos o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, que gerimos em parceria com as Juntas de Freguesia do concelho e com o Centro Social Paroquial de Nova Oeiras.  Este programa apoia mais de 1500 pessoas através da distribuição de produtos alimentares. Este ano, vamos iniciar um programa piloto – que vai incidir sobre cerca de 500 destas famílias – que substitui a distribuição de cabazes por cartões de compras. Este será ajustado ao agregado familiar, permitindo adquirir bens essenciais em redes parceiras como o Continente e o Auchan.

Além disso, contamos com o apoio do Banco Alimentar complementado por recursos próprios e apoios de entidades como a União de Freguesias de Oeiras, área sobre a qual incide a nossa atuação no que a isto concerne. Este suporte permite-nos adquirir produtos que o Banco Alimentar não fornece, como carne e peixe, e compor cabazes mais completos.

Foto: Paulo Rodrigues

CL – Quais os serviços que a SCMO presta à população sénior?

LB – Os serviços prestados refletem o nosso compromisso com um atendimento de qualidade e humanizado, numa área tão sensível e desafiadora. No âmbito do apoio domiciliário, temos expandido a nossa atuação tanto em qualidade quanto em quantidade. O trabalho das ajudantes familiares é fundamental, pois lidam com situações delicadas, e desempenham um papel crucial no bem-estar dos nossos utentes. É de mencionar que neste serviço, as refeições que distribuímos são confecionadas diretamente por nós – garantindo frescura e qualidade. Além disto, oferecemos um acompanhamento técnico completo, com psicólogos e assistentes sociais.

Outra resposta importante é o nosso centro de dia especializado para pessoas com demências, localizado em Paço de Arcos. Este serviço foi criado há cerca de dois anos em parceria com a autarquia, sendo o primeiro e único do género no concelho. É um espaço projetado para atender as necessidades específicas de pessoas com demência, com técnicos qualificados para oferecer o suporte adequado. A maioria dos utentes tem mobilidade reduzida, pelo que é transportada pela nossa carrinha, garantindo-lhes segurança e acessibilidade. Este projeto é uma resposta ao crescente número de pessoas com demência e ao desafio que tal representa para as famílias.

Desenvolvemos ainda o projeto “Aproximar Oeiras”, que nasceu de um levantamento realizado durante a pandemia. Identificámos as atividades de interesse para a população sénior e criámos um programa diversificado, que vai desde aulas de idiomas e yoga até informática e teatro. Algumas destas atividades desenvolvem-se nas nossas instalações no Jardim de Paço de Arcos, outras, devido à limitação de espaço, decorrem em espaços como a paróquia, o clube desportivo e a própria Junta, com os quais estabelecemos parcerias.

Por fim, prestamos atendimento psicossocial, que tem tido uma procura crescente, refletindo a importância de apoiar não só a saúde física, mas também o bem-estar emocional dos nossos utentes.

CL – Como é que as creches e jardins de infância geridos pela SCMO contribuem para o desenvolvimento das crianças?

LB – Os nossos 15 equipamentos de infância têm como objetivo primordial contribuir para o desenvolvimento integral das crianças, promovendo não apenas o seu bem-estar, mas também o seu crescimento cognitivo, emocional e social. Para isso, trabalhamos com um plano pedagógico estruturado, desenvolvido em colaboração com as coordenadoras técnicas e pedagógicas dos diversos espaços. Este plano é a base que orienta as atividades de cada equipamento, permitindo uma abordagem consistente, mas adaptada às especificidades de cada estrutura.

Temos uma vasta experiência na área da educação o que se tem revelado um fator determinante para que a CMO nos confie a gestão de novos equipamentos. Foi assim em locais como a Laje, Carnaxide, Talaíde, e Alto da Loba, onde assumimos a responsabilidade pela gestão de infantários com o objetivo de oferecer um serviço educativo de qualidade.

Atualmente, estamos focados na renovação e melhoria das nossas instalações, em colaboração com a Câmara Municipal, que é proprietária da maioria dos equipamentos. Em Algés, estamos a trabalhar na transferência dos infantários Pioneiro e Pinóquio para a antiga escola Sofia de Carvalho, que está a ser adaptada para acolher estas crianças em melhores condições. As estruturas do Traquinas, em Queijas, e do Pingolé, em Vila Fria, serão completamente reconstruídas. O objetivo é garantir que as nossas instalações sejam modernas e estejam ao nível das melhores práticas, acompanhando tanto a rede privada quanto a pública. Em termos de qualidade pedagógica, estamos confiantes de que não ficamos atrás de ninguém.

CL – Também prestam cuidados na área da saúde. Quais os serviços disponíveis nesta área?

LB – Contamos com uma unidade de internamento gerida por uma empresa privada especializada na área da saúde. O espaço funciona como enfermaria para alguns casos e como unidade de convalescença para outros. Temos acordos, por exemplo, com o Hospital de Santa Maria, para acolher pacientes que já não necessitam de cuidados intensivos, mas que ainda não têm condições de alta hospitalar. Muitos destes são casos sociais. Estamos também a preparar uma reestruturação completa do edifício para adaptá-lo às exigências atuais, o que representa um grande desafio logístico e financeiro.

No piso térreo, disponibilizamos uma série de consultas de especialidade, incluindo psicologia, ortopedia, ginecologia e clínica geral, além de serviços de análises clínicas e dentista. Estas especialidades são muito procuradas, mas enfrentamos desafios significativos devido à concorrência crescente na área e à necessidade de investimento para melhorar as nossas instalações.

Foto: Paulo Rodrigues

APOIOS ESSENCIAIS

CL – Como é que a SCMO garante a sustentabilidade financeira dos seus projetos e serviços?

LB– A nossa sustentabilidade financeira é assegurada por várias fontes de receita. Uma grande fatia do nosso financiamento provém do Estado, que subsidia os serviços que prestamos em áreas como apoio domiciliário, centros de dia, centros de convívio e creches. No caso das crianças, o Estado cobre a totalidade do valor das que frequentam creches e uma parte das que estão no pré-escolar. Além disso, contamos com as contribuições das famílias que utilizam os nossos serviços. Estas são calculadas com base nos rendimentos familiares e aplicam-se a áreas como os jardins de infância e os serviços para a terceira idade.

Outro pilar importante do nosso financiamento é o apoio do município, que nos permite gerir determinados projetos sem gerar prejuízo. Este apoio é direcionado a iniciativas específicas, como o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, o hostel social, o programa alimentar e o centro dedicado às demências. A contribuição do município não visa gerar lucro, mas sim cobrir os custos operacionais para garantir a continuidade do serviço.

Também recebemos alguns donativos, tanto de particulares como de empresas, embora financeiramente o impacto seja menor do que gostaríamos. No entanto, as empresas frequentemente contribuem de outras formas, oferecendo trabalho ou recursos. A título de exemplo, recentemente, uma empresa remodelou e pintou o espaço de um dos nossos centros de acolhimento.

Além disso, a Junta de Freguesia de Oeiras tem sido uma parceira crucial, especialmente no apoio a projetos específicos, como o apoio alimentar e o grupo de visitadores do Hospital Prisional de Caxias. Este grupo presta assistência essencial aos reclusos, fornecendo itens básicos como selos, para a correspondência com a família, canetas, óculos ou cadeiras de rodas, etc.

CL – Quantos voluntários colaboram atualmente com a SCMO e de que forma contribuem para a operação diária da instituição?

LB – Atualmente, num universo de 388 trabalhadores, contamos com cerca de 80 voluntários que desempenham um papel fundamental no funcionamento diário da instituição. Desses, faço parte eu e os restantes membros dos órgãos sociais.

Os Centros de Acolhimento para sem-abrigo contam com uma importante contribuição voluntária. Durante a semana, temos funcionários alocados a estes centros, mas aos fins de semana e feriados, são os voluntários que asseguram integralmente o seu funcionamento, garantindo que os centros continuem a operar sem interrupções. O grupo de visitadores do Hospital Prisional de Caxias é outro exemplo significativo da importância dos voluntários que ali vão regularmente. Os 17 professores do programa “Aproximar Oeiras” também são todos voluntários. Além disso, temos uma ligação especial com antigos colaboradores da Santa Casa da Misericórdia que, após a reforma, escolhem continuar a prestar os seus serviços.

CL – Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pela SCMO?

LB – A maior dificuldade que enfrentamos atualmente está na área da infância e do pré-escolar, devido ao impacto que estas valências têm na estrutura financeira da instituição. Embora as nossas creches estejam completamente cheias, o mesmo não acontece com o pré-escolar. Muitas famílias, ao concluírem a creche, optam por colocar os seus filhos em respostas públicas gratuitas no pré-escolar, o que cria um grande desequilíbrio.  Este ocorre porque, numa sala de pré-escolar com capacidade para 25 crianças, se tivermos ocupadas apenas 15 vagas, ficamos sem o financiamento para as 10 vagas restantes – tanto no que respeita à comparticipação familiar quanto o subsídio do Estado. No entanto, os custos operacionais permanecem os mesmos, já que precisamos do mesmo número de educadores, e auxiliares para garantir o funcionamento da sala.

Temos esperança de que a gratuidade no pré-escolar – situação já abordada pelo atual governo – possa mitigar este problema. Se conseguirmos oferecer a mesma gratuidade que as respostas públicas, acreditamos que as famílias optarão por permanecer connosco, mantendo a continuidade na educação dos seus filhos num ambiente que já conhecem e confiam.

Foto: Paulo Rodrigues

SINERGIAS EM PROL DA COMUNIDADE

CL – Em 2025, há algum projeto gostaria de ver implementado ou consolidado?

LB – Um dos nossos grandes desejos é dar início ao projeto da Unidade de Cuidados Continuados, em Porto Salvo. Gostávamos muito de ver a primeira pedra ser lançada e o edifício começar a ganhar forma, pois trata-se de uma resposta essencial para a comunidade.

Na área da infância, temos importantes projetos: a mudança dos infantários Pioneiro e Pinóquio para a Escola Sofia de Carvalho, em Algés, será muito significativa para a nossa gestão, pois permitirá reduzir o prejuízo associado a espaços muito pequenos. A nova instalação será mais ampla e permitirá otimizar os recursos humanos e materiais, mantendo a qualidade do serviço.

Outro projeto importante que estamos a consolidar é a centralização da confeção de refeições. Anteriormente, cada infantário tinha a sua própria cozinha, mas, com os desafios crescentes na contratação de pessoal, começámos a centralizar este processo, que também nos permite reduzir os custos operacionais. Atualmente, já temos uma estrutura bem montada, através de uma parceria com o Centro Social Paroquial de Porto Salvo. Utilizamos as instalações deles para confecionar refeições não só para as nossas creches e jardins de infância, mas também para o centro de dia e o serviço de apoio domiciliário do Centro. Este é um exemplo de como sinergias entre instituições podem ser efetivamente implementadas em benefício mútuo, algo que nem sempre passa das intenções.

CL – Para além das atividades regulares, a SCMO tem promovido iniciativas pontuais…

LB – Sim, e vamos continuar pois isso reforça a nossa ligação à comunidade e ao exterior.  Atualmente, respondemos sempre afirmativamente quando desafiados para participar em eventos e projetos organizados por outras entidades. Por exemplo, no ano passado, fomos abordados pela autarquia para fornecer refeições durante um torneio de futsal entre empresas de diversos parques empresariais. Aceitámos o convite, e levámos refeições para todos os participantes. Outro exemplo foi a nossa colaboração na Festa da Família, realizada no Parque de Miraflores, onde fornecemos alimentação aos voluntários que estavam de serviço.

Além disso, marcamos presença nas Comissões Sociais de Freguesia, participando ativamente em todas as suas iniciativas. É o caso da Mostra Social de Algés, na qual nos apresentamos com stands que divulgam o trabalho que desenvolvemos nas diversas áreas.

Em 2020, devido às circunstâncias extraordinárias vividas, a Corrida do Tejo, promovida pela CMO, não se pôde realizar nos seus moldes habituais. A autarquia decidiu, então, criar a “Corrida do Tejo – Edição Solidária”, elegendo uma instituição para ser beneficiária das inscrições dos atletas. A SCMO foi a escolhida e, com a verba angariada adquirimos uma carrinha destinada ao transporte de alimentos para apoiar famílias carenciadas. A carrinha tem sido, desde então, um recurso essencial para o trabalho solidário que desenvolvemos na comunidade. No entanto, a nossa relação com a Corrida do Tejo não se limitou a esse momento pontual. Temos participado ativamente em todas as edições do evento, como forma de retribuir o apoio que recebemos e de demonstrar a nossa gratidão. Assim, organizamos sempre uma equipa, que se encontra dividida por diversos pontos do percurso oferecendo palavras de incentivo aos atletas, distribuindo águas e colaborando com a logística do evento.

CL – Que mensagem gostaria de deixar aos beneficiários, colaboradores e à comunidade de Oeiras sobre o papel da SCMO?

LB – Gostaria de deixar uma mensagem de confiança e gratidão a todos os que, de alguma forma, estão ligados à Santa Casa da Misericórdia de Oeiras. Há medida que nos aproximamos do marco histórico dos 100 anos, espero que esta instituição continue a consolidar o capital de confiança que tem construído.  A minha maior aspiração é que as pessoas continuem a olhar para a Santa Casa como uma porta aberta, pronta a acolher e a ajudar quem precisa.

Aos beneficiários, quero assegurar que o trabalho que realizamos diariamente é pensado para responder às suas necessidades com qualidade e humanidade. Aos nossos colaboradores, quero expressar o meu reconhecimento pelo esforço e dedicação que permitem que a nossa missão seja concretizada. É fundamental para nós garantir que aqueles que trabalham connosco também tenham uma vida digna e se sintam valorizados. À comunidade de Oeiras, quero reforçar que a Santa Casa da Misericórdia de Oeiras está aqui para servir, para apoiar e para ser uma presença constante no bem-estar da nossa sociedade.

NOTA: Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Foto: Paulo Rodrigues

Autor: Raquel Luís

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