O CascaisVilla, junto à entrada nascente de Cascais, baptizado como ‘Titanic’ por ter uma forma semelhante à proa de um navio, já começou a ser demolido. O espaço ocupado pelo polémico centro comercial inaugurado em 2001 vai dar lugar a Atóll, um projecto residencial e comercial assinado pelo famoso arquitecto britânico Norman Foster, conhecido pelos seus projectos inovadores em todo o Mundo, nomeadamente o arranha-céus ’30 Sr Mary Axe’, conhecido como ‘The Gherkin’, considerado um marco simbólico sustentável na arquitectura europeia.

Os primeiros passos para lançar o projecto de requalificação que a Câmara Municipal de Cascais pretende realizar foram dados no passado dia 8 de Abril, quando começaram os trabalhos de demolição do edifício (que também albergava o antigo terminal rodoviário), que deverão estar concluídos até ao final do ano. De acordo com informação divulgada pelo Município, que já levantou o véu sobre o projecto idealizado pelo arquitecto londrino, a nova cara da principal porta de entrada da vila deverá estar pronta entre dois e três anos após o início da construção.

O projecto idealizado por Norman Foster, conhecido pelas soluções sustentáveis e inovadoras que cria, que aliam estética e funcionalidade, contempla uma área residencial e comercial, sendo que vão ser utilizados na construção materiais reciclados recuperados do CascaisVilla. A requalificação prevê ainda a criação de áreas verdes e zonas de lazer, tendo por referência a paisagem natural característica da região. Ao promover um ambiente urbano mais saudável e acolhedor pretende-se que isso contribua para melhorar a qualidade de vida em Cascais.

VALORIZAR A PAISAGEM
A ser cumprido o calendário estimado para a segunda fase do projecto, prevê-se que a construção fique concluída em 2028. Dotada de um desenho arquitectónico contemporâneo, a construção integra dois edifícios residenciais separados por uma zona pedonal e um jardim público para usufruto da comunidade. A requalificação prevê, também, a ligação do novo Terminal Rodoviário de Cascais à Estação de Comboios, o que contribuirá para uma melhor circulação pedonal numa zona caracterizada por grande afluência de pessoas.

Com uma densidade de construção menor, o projecto prevê a existência de comércio e restaurantes. Quanto à estética dos edifícios, Norman Foster optou por linhas limpas e estruturas transparentes que facilitam a interação entre a luz natural e o ambiente circundante. Procura-se, assim, valorizar a paisagem local e reforçar a identidade cultural de Cascais e, simultaneamente, promover a funcionalidade dos espaços ao integrar áreas residenciais, comerciais e sociais num ambiente que se deseja acessível e dinâmico para residentes e visitantes.

Com um orçamento estimado em 100 milhões de euros, assumidos pela empresa PRIME, os edifícios do projecto Atóll inspiram-se em formas orgânicas e usam materiais com tonalidades quentes. Um dos objectivos desta requalificação da principal porta de entrada em Cascais é promover uma paisagem mais verde, com mais árvores e menos carros. Pretende-se, deste modo, reduzir a poluição e redefinir o ambiente urbano, reforçando o compromisso com a sustentabilidade ambiental e uma melhor qualidade de vida.

DEMOLIÇÃO HÁ MUITO DESEJADA
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Cascais, esta demolição de “um projecto que sempre dividiu os munícipes”, descrito como “um muro que se confronta com o mar e que separa a própria vila”, era há muito desejada por grande parte da população cascalense. Quanto ao novo projecto que ali vai nascer, Carlos Carreiras defende que “vai renovar e dar uma escala humana à entrada nascente da vila”, constituindo uma visão arquitectónica que coincide com os valores e a estratégia defendidos pelo município.

Para o autarca, a cumprir o terceiro e último mandato à frente da autarquia, esta reconversão de um espaço nobre aposta numa maior humanização da própria vila, com avenidas largas e esplanadas, “com a possibilidade de as pessoas se encontrarem e conviverem. Uma vivência que se vai fazer a nível da própria rua”. “Teremos um espaço público completamente humanizado, que vai funcionar como catalisador e levar as pessoas para o centro da vila. Portanto, também o próprio comércio da vila vai beneficiar, e muito, com esta intervenção”, realçou.
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Gostaria de ver a planta do projecto e como a mesma fica implantado no terreno.
Não consigo imaginar que um projecto habitacional e comercial naquele lugar fique diferente do que aquele que está a ser demolido.