A Recomeço é uma instituição que há 25 anos se dedica à reabilitação e reinserção social de pessoas com doenças psiquiátricas graves. Desde a sua fundação, em 1999, tem procurado criar respostas para um dos maiores desafios da saúde mental: garantir que os doentes não apenas recebam tratamento, mas que possam reconstruir uma vida ativa e independente. Em entrevista, Susana Guimarães, presidente da Direção, falou sobre a evolução da instituição, os desafios na inclusão social e as metas para o futuro.
O Correio da Linha (CL) – Como surgiu a Recomeço e quais foram os desafios enfrentados na sua fundação?
Susana Guimarães (SG) – A Recomeço nasceu da iniciativa de um grupo de funcionários do Hospital Amadora Sintra que sentiu a necessidade de oferecer uma resposta comunitária para a área da doença mental, dando continuidade ao acompanhamento dos doentes. Assim, a 16 de dezembro de 1999, foi realizada a escritura pública da Recomeço, com uma Direção composta exclusivamente por técnicos do hospital. No ano seguinte, em 2000, inaugurámos a nossa primeira valência, o Fórum Sócio-Ocupacional, dando início ao trabalho que continuamos a desenvolver até hoje.
CL – A missão da Recomeço é reabilitar e recriar saúde mental. De que forma essa missão se concretiza no dia a dia da instituição?
SG – No nosso trabalho diário, atuamos através de duas valências principais. Temos o Fórum Sócio-Ocupacional, que acolhe até 30 pessoas, e uma Unidade de Vida Protegida, que funciona como residência para 7 pessoas. Esta unidade opera das 16h às 9h do dia seguinte, além de fins de semana e feriados. Já o Fórum Sócio-Ocupacional está aberto nos dias úteis, das 9h às 16h.
Os nossos utentes são encaminhados pelo departamento de psiquiatria do Hospital Amadora Sintra, ou seja, não aceitamos admissões diretas, seja por iniciativa própria ou por indicação de familiares. Isso garante que todas as pessoas que acompanhamos tenham um seguimento médico especializado e contínuo.
No âmbito do Fórum, adotamos o modelo do terapeuta de referência, no qual cada técnico acompanha cinco ou seis utentes, ajudando-os a refletir sobre o seu projeto de vida e a definir novos objetivos. O Fórum funciona como uma etapa de transição para uma vida mais ativa, incentivando a redescoberta de competências e a preparação para novos desafios. O grande objetivo é proporcionar um retorno à vida ativa e um reencontro com um propósito, permitindo que cada pessoa reconstrua a sua autonomia dentro das suas possibilidades.

CL – Que tipo de atividades são desenvolvidas no Fórum Socio-Ocupacional?
SG – No Fórum disponibilizamos três tipos de atividades: terapêuticas, ocupacionais e lúdicas. Nenhuma delas é imposta; cada utente escolhe, com o apoio do técnico, aquelas que fazem mais sentido para si.
No campo das atividades terapêuticas, contamos com intervenções nas áreas da psicologia e da psicomotricidade, proporcionando um suporte essencial para o bem-estar emocional e cognitivo das “nossas pessoas”.
As atividades ocupacionais são conduzidas por uma terapeuta ocupacional e focam-se no desenvolvimento de competências fundamentais para uma vida autónoma e ativa. Trabalhamos, por exemplo, a gestão do dinheiro, a organização doméstica e a realização de tarefas essenciais do quotidiano, como higienizar corretamente uma mesa de refeição, lavar a louça e outras competências básicas de manutenção de um espaço habitacional.
Por fim, apostamos na componente lúdica e artística, com atividades como música, dança, teatro, pintura e artes decorativas. Acreditamos que a expressão artística desempenha um papel fundamental no processo de reabilitação, promovendo a autoestima, a criatividade e o sentido de pertença das “nossas pessoas”.
CL – Qual a faixa etária dos utentes?
SG –O Fórum Sócio-Ocupacional foi concebido para acolher pessoas entre os 18 e os 55 anos, funcionando como uma estrutura de transição, seja para o mercado de trabalho, seja para uma vida mais independente em casa. No entanto, nos últimos anos, temos enfrentado um desafio significativo: a falta de respostas na comunidade para pessoas mais velhas.
Há 25 anos, a média de idades rondava os 20 e poucos anos, mas atualmente, a idade média dos nossos utentes é de cerca de 53 anos, sendo que o mais velho tem 72. Embora 53 anos não seja, de modo algum, uma idade avançada, para o propósito do Fórum a permanência prolongada de pessoas mais velhas cria um entrave ao acolhimento de novos casos.
Não havendo alternativa para essas pessoas, elas acabam por permanecer connosco indefinidamente, ocupando lugares que poderiam ser preenchidos por utentes mais jovens, que poderiam beneficiar do desenvolvimento de competências para ingressar no mercado de trabalho ou alcançar maior autonomia. Por exemplo, temos atualmente uma jovem de 24 anos que, dada a sua necessidade de evolução em diversos aspetos, provavelmente permanecerá connosco por mais cinco ou seis anos. Por outro lado, há outro utente da mesma idade que já está em fase de transição para o emprego, frequentando uma associação parceira que o apoia nesse percurso.
O Fórum funciona, essencialmente, como um espaço de reabilitação e reintegração, mas a realidade é que se não existem respostas comunitárias para além dele, pelo que as pessoas acabam por permanecer aqui mais tempo do que o ideal. E simplesmente dizer a alguém com 50 ou 60 anos: “Já não pode ficar aqui, vá para casa”, seria desumano, pois, sem apoio, essa pessoa poderia acabar por se isolar e, num curto espaço de tempo, necessitar de voltar a ser internada.

O IMPACTO DO ESTIGMA E OS DESAFIOS DA INCLUSÃO SOCIAL
CL – Que tipo de doenças mentais são mais comuns entre os utentes do Fórum?
SG – Não temos uma restrição rígida quanto aos diagnósticos para admissão, mas, na prática, a maioria das “nossas pessoas” apresenta doenças psiquiátricas crónicas e graves. Os casos mais frequentes são esquizofrenia, que corresponde a aproximadamente 70% dos utentes, e transtorno bipolar, que representa cerca de 25%. Para além destes, acompanhamos alguns casos com outras patologias, mas em menor número.
CL – Como funciona a Unidade de Vida Protegida e qual é o seu principal objetivo?
SG – A Unidade de Vida Protegida acolhe sete pessoas e funciona no segundo andar das nossas instalações. O grande objetivo da Unidade de Vida Protegida é o treino de competências residenciais, essencial para pessoas que, por diferentes razões, precisam de aprender a gerir a sua vida de forma mais autónoma. Isto aplica-se tanto a indivíduos cujos pais estão a envelhecer e já não conseguem prestar o mesmo apoio, como àqueles que se preparam para viver sozinhos e necessitam de adquirir habilidades básicas para essa transição.
No dia a dia, trabalhamos aspetos essenciais da gestão de uma casa, como a organização do espaço, a preparação de refeições, a realização de compras e a administração da pensão ou outras fontes de rendimento. O objetivo é garantir que cada pessoa desenvolva a capacidade de gerir a sua vida com maior independência e segurança, promovendo a sua autonomia dentro e fora da instituição.
CL – Qual é a formação dos profissionais que trabalham na Recomeço?
SG – No Fórum Sócio-Ocupacional, contamos com uma equipa técnica especializada, composta por dois psicomotricistas, uma psicóloga, uma terapeuta ocupacional, um assistente social e um animador sociocultural – este último exclusivo do Fórum. Além disso, temos monitores responsáveis pelo desenvolvimento das atividades artísticas. Na Unidade de Vida Protegida, os únicos funcionários exclusivos são os auxiliares, que asseguram o funcionamento e apoio aos utentes dentro da residência. No total, temos quatro funcionários contratados, além da equipa técnica que dá suporte às diferentes áreas de atuação da instituição.
CL – O Projeto ReDance, que é uma das iniciativas de grande destaque da Recomeço. Poderia contar-nos mais sobre ele?
SG – O ReDance faz parte das atividades do AmaSénior, programa do qual fazemos parte. O projeto teve início em 2014 quando a professora Rita Soares começou a dar aulas de dança no âmbito daquele programa. Desde o primeiro momento, criou-se uma forte sintonia entre ela, os utentes e a equipa técnica, o que fez com que a iniciativa crescesse de forma natural.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando tivemos a oportunidade de apresentar o trabalho do grupo num evento em Coimbra, no âmbito do Plano Nacional de Saúde Mental. Ao subirmos ao palco, a reação do público foi extraordinária – as pessoas levantaram-se, aplaudiram, e os nossos utentes sentiram-se verdadeiramente capazes. Foi um instante de grande empoderamento e emoção, onde muitos deles chegaram a chorar.
A partir desse momento, percebemos que o caminho passava pelo palco, e o projeto cresceu, resultando em seis espetáculos ao longo dos anos. Infelizmente, durante a pandemia, o projeto ficou suspenso e, mais recentemente, não foi possível retomá-lo porque a Rita Soares deixou de colaborar connosco. Desde outubro, ainda não conseguimos encontrar um novo monitor de dança, o que impediu a continuidade das aulas.
No entanto, o teatro e a música continuaram a crescer. Desde o ano passado, temos apostado na área do teatro e nos Ritmos, um projeto musical que inclui canto e percussão.
CL – Como é que a Recomeço se adaptou à pandemia da Covid-19?
SG – A adaptação foi um grande desafio. O Fórum Sócio-Ocupacional esteve encerrado por seis meses e, como muitas das “nossas pessoas” não tinham smartphone nem computador, tivemos de reinventar a forma como mantínhamos o acompanhamento. A nossa prioridade foi não deixar ninguém sozinho, pois a solidão e o medo do vírus afetaram profundamente a saúde mental de todos, especialmente das pessoas que acompanhamos.
Passámos a fazer acompanhamento telefónico diário, com chamadas frequentes para garantir que cada utente se sentia apoiado. Nos primeiros dias, não havia um limite, passávamos horas ao telefone com as pessoas, até percebermos que precisávamos de estruturar melhor este apoio. Assim, estabelecemos horários personalizados: para alguns utentes, era essencial receber uma chamada de manhã e outra ao final do dia, enquanto para outros, um contacto duas vezes por semana era suficiente.
Criámos também um projeto de correspondência, onde enviávamos atividades por correio e os utentes retribuíam com desenhos e pequenos textos, que depois publicávamos numa página no Facebook. Embora poucos tivessem acesso à internet, os que conseguiam ver essas publicações sentiam-se valorizados e conectados aos colegas.
Foi um período muito difícil, mas acreditamos que esta abordagem ajudou a minimizar o impacto negativo do isolamento e a manter um sentimento de comunidade, mesmo à distância.

CL – Sente que a pandemia contribuiu para uma deterioração da saúde mental dos vossos utentes?
SG – Julgo que esse impacto foi sentido de forma generalizada, mas entre os nossos utentes foi particularmente marcante. O medo da doença, o isolamento e a incerteza tiveram efeitos muito negativos, fazendo com que algumas competências já adquiridas regredissem.
Um exemplo claro disso é algo tão simples como sair de casa para dar um passeio. Para a maioria das pessoas, isso é um hábito natural e espontâneo. Mas para alguém com uma doença psiquiátrica grave, essa autonomia pode ser uma conquista difícil e trabalhada ao longo do tempo. Na Recomeço, trabalhamos muito esta questão da socialização gradual, encorajando as pessoas a explorar o espaço exterior, nem que seja para um pequeno passeio até um café ou a um jardim. Com a pandemia, tudo isso se perdeu. Quando reabrimos, percebemos que muitos utentes estavam novamente isolados, sem confiança para sair de casa. Foi preciso reconstruir essas conquistas, incentivando-os, pouco a pouco, a voltar a ter uma vida mais ativa.
CL – Quais são os principais desafios enfrentados pelos vossos utentes na integração na sociedade e no mercado de trabalho?
SG – O maior obstáculo é, sem dúvida, o estigma. Existe uma grande desinformação sobre a doença mental, especialmente sobre a esquizofrenia, que muitas vezes é associada, de forma errada, à violência e à incapacidade. A realidade é que esses comportamentos ocorrem apenas durante surtos – momentos em que a pessoa está descompensada e, habitualmente, internada para tratamento. Com a medicação adequada, esses sintomas são controlados, e o utente pode levar uma vida estável. No entanto, a perceção pública continua a ser distorcida, o que dificulta a aceitação na comunidade. Por exemplo, temos discutido com a PSP de Alfragide a importância de sensibilizar polícias e bombeiros, pois a maioria só tem contacto com estes doentes nos momentos de crise, sem conhecer a realidade do seu dia a dia.
No mercado de trabalho, as dificuldades prendem-se com a falta de flexibilidade das entidades patronais. Algumas funções exigem adaptações, como horários reduzidos ou ambientes menos stressantes, mas nem sempre há compreensão para essas necessidades. Além disso, muitos utentes têm medo de perder a pensão caso a experiência profissional não corra bem, o que os leva a hesitar antes de aceitar um emprego. Felizmente, hoje esse processo está mais rápido e ajustável, permitindo experiências sem perda imediata do apoio financeiro.
A inclusão ainda enfrenta desafios significativos, mas passa, sobretudo, pela desconstrução do preconceito e pela criação de oportunidades mais adaptadas às necessidades destas pessoas.
CL – Também apoiam os utentes na procura de emprego?
SG – Sim, mas atualmente colaboramos com entidades especializadas. No passado, fazíamos esse acompanhamento diretamente, mas percebemos que outras instituições têm maior experiência nesta área.
Hoje, trabalhamos em parceria com o Projeto Incorpora, que presta apoio especializado na inserção profissional de pessoas com incapacidade ou desvantagem social. O nosso papel é identificar e encaminhar os utentes, enquanto os técnicos do Incorpora os acompanham na procura de emprego e integração no mercado de trabalho.
CL – Para além do apoio direto aos utentes, a Recomeço conta com parcerias com entidades públicas e privadas?
SG – Temos várias parcerias institucionais que são fundamentais para o nosso funcionamento. Trabalhamos com a Câmara Municipal da Amadora, com a Bifurcação Teatro – que colabora connosco no projeto AmaSénior, fornecendo monitores para atividades de teatro – e com o Hospital Amadora Sintra, nomeadamente com o Departamento de Psiquiatria. A Segurança Social também é um parceiro essencial, sendo responsável por 95% do financiamento da associação. A Junta de Freguesia de Alfragide também nos tem apoiado em várias iniciativas, sendo um parceiro muito presente.
No setor privado, as parcerias são mais pontuais, especialmente sob a forma de doações. Um exemplo curioso ocorre no Natal, quando algumas equipas de empresas, em vez de trocarem presentes entre si, juntam um valor simbólico e fazem uma doação para a Recomeço. Já recebemos, por exemplo, uma televisão e um candeeiro que ajudaram a melhorar a nossa sala zen. Neste momento, estamos a procurar novas parcerias, pois acreditamos que são fundamentais para expandir a nossa capacidade de resposta, especialmente no apoio a utentes com mais de 55 anos.
CL – A Recomeço conta com voluntários?
SG – Curiosamente, fazemos mais voluntariado do que recebemos. As “nossas pessoas” participam ativamente em ações de solidariedade, o que lhes dá um sentido de propósito e envolvimento na comunidade. Por exemplo, temos uma parceria com a Comunidade Vida e Paz, onde, há dois anos, os utentes e a equipa técnica passaram uma semana inteira a fazer embrulhos de Natal para apoiar a instituição. Foi um momento muito significativo, pois uma organização que recebe apoio social pôde, por sua vez, retribuir ajudando outra causa.
Além disso, alguns utentes que, por diversas razões, não podem ou não querem trabalhar, encontram no voluntariado uma forma de ocupação útil e gratificante. Este ano, participámos no Giving Tuesday, onde recebemos apoio para pintar as paredes da instituição. Acreditamos que cuidar do espaço onde se vive ou trabalha gera bem-estar. Embora a Recomeço não seja “a casa” dos utentes, muitas vezes é sentida como um espaço de pertença. Quando estimulamos a ideia de valorizar e cuidar do ambiente à nossa volta, também ajudamos a criar hábitos que podem ser levados para as suas próprias casas e vidas.

CAMINHOS PARA O FUTURO: CRESCIMENTO E NOVOS PROJETOS
CL – Que projetos têm delineados para o futuro?
SG – Quanto a espetáculos sabemos que em junho iremos realizar apresentações no âmbito do AmaSénior, como é habitual. Prevemos um espetáculo de teatro no espaço do Teatro Bifurcação, em Sintra, embora ainda não tenhamos datas definidas.
Em relação a projetos, os mais relevantes situam-se no curto e médio prazo. A curto prazo, em maio, pretendemos lançar uma formação para famílias, com o objetivo de ajudá-las a compreender melhor o diagnóstico e o comportamento dos seus familiares, promovendo uma convivência mais harmoniosa. Esta formação, composta por cinco sessões, não é terapia familiar, mas pretende fornecer ferramentas úteis para lidar com determinados comportamentos e abrir caminho para um futuro acompanhamento mais estruturado.
Ainda este ano, gostaríamos de iniciar um acompanhamento descentralizado em algumas freguesias da Amadora, direcionado a utentes mais velhos. O objetivo é libertar vagas no Fórum Sócio-Ocupacional para pessoas mais jovens, garantindo que os mais velhos continuem a receber o apoio necessário através de um modelo mais ajustado às suas necessidades. Estamos também a trabalhar para abrir pelo menos mais um Fórum Socio-Ocupacional e uma ou duas novas residências, pois acreditamos que estas respostas são essenciais. Queremos retirar pressão das unidades de cuidados primários e oferecer alternativas para que mais pessoas tenham acesso a um acompanhamento adequado e humanizado.
Ao fim de 25 anos de existência, sentimos que o caminho é o crescimento. A nossa nova Direção assumiu este compromisso: não queremos apenas continuar a fazer bem para 30 pessoas, queremos fazer bem para muitas mais.
CL – A Recomeço celebrou recentemente 25 anos. Como foi a comemoração?
SG – No dia 16 de dezembro, realizámos um almoço interno com a equipa e os utentes, num momento de partilha mais intimista. Já a comemoração oficial, no dia 28 de janeiro, aconteceu num espaço cedido pela Junta de Freguesia de Alfragide, permitindo reunir mais convidados. O evento contou com um lanche, apresentações de teatro e testemunhos de vida de familiares e utentes, refletindo o impacto do nosso trabalho. Estiveram presentes o Presidente da CMA, Vítor Ferreira e o Presidente da Junta, António Paulo, que acompanham a Recomeço desde o início. Organizámos também uma exposição e venda de peças do Ateliê de Artes Decorativas. O momento mais emocionante foi a estreia do nosso coro, dentro da atividade Ritmos, e a apresentação da nossa Orquestra de Escadotes, onde os utentes tocam escadotes como instrumentos musicais.
Foi uma comemoração simbólica e envolvente, unindo equipa, utentes, comunidade e parceiros que têm sido fundamentais ao longo destes 25 anos.
CL – Que mensagem gostaria de deixar à sociedade sobre a importância da saúde mental e da inclusão destas pessoas?
SG – Gostaria de transmitir é que somos todos cidadãos. Ter uma doença psiquiátrica não retira a ninguém o seu estatuto de cidadão, com os mesmos direitos e deveres que qualquer outra pessoa. As atitudes paternalistas não ajudam a combater o estigma, pelo contrário, reforçam-no. A doença mental não define a pessoa, é apenas uma condição com a qual ela vive. O nosso papel, enquanto sociedade, deve ser garantir que estas pessoas têm oportunidades reais de inclusão, para que possam exercer plenamente o seu papel na comunidade. O mais importante é não olhar para estas pessoas como diferentes, mas sim como cidadãos que têm muito a contribuir, desde que lhes seja dada essa possibilidade.
NOTA: Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico























