A Associação Gaivotas da Torre (AGT) está instalada em Cascais, na Rua das Caravelas, mais concretamente nas traseiras do n.º 256, Cave 1. A missão desta organização sem fins lucrativos está orientada para a valorização da pessoa humana e da família. Nesse sentido, a instituição desenvolve actividades de apoio e integração social, sendo o seu trabalho articulado em rede e parceria.
Desde a sua criação, há quase três décadas, por um grupo de mulheres benfeitoras de Cascais, a Associação, classificada de utilidade pública, tem vindo a acompanhar crianças e jovens durante os seus percursos escolares e de vida. Presta também ajuda a pessoas em situação de desemprego e apoia famílias carenciadas e pessoas em situação de sem-abrigo.
Em termos gerais, as actividades promovidas pela AGT dividem-se em três áreas: Profissional, Educação e Social. Na sua lista de projectos incluem-se um curso de Alfabetização e um curso de Português para Estrangeiros e programas de ocupação de tempos-livres com actividades lúdicas e recreativas para crianças e jovens em idade escolar de famílias acompanhadas pela área de Acção Social.
Inserem-se ainda na lista de serviços prestados pela Associação o acompanhamento psicossocial de indivíduos e famílias em situação de fragilidade socioeconómica ou mental e um programa de apoio alimentar destinado a agregados familiares mais vulneráveis. Desde o ano passado, conta igualmente com uma Loja Social, que disponibiliza diversos tipos de artigos.
O jornal ‘O Correio de Linha’ entrevistou a directora administrativa da AGT, Renata Fontella, para obter mais informação sobre esta instituição, que tem estabelecido várias parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal de Cascais (CMC), para assegurar a concretização de vários programas, que contemplam ainda a valorização do envelhecimento activo e saudável no seio da comunidade.

ASSOCIAÇÃO CRIADA POR GRUPO DE BENFEITORAS
Jornal ‘O Correio da Linha’ (CL) – Quando foi criada a Associação Gaivotas da Torre (AGT)?
Renata Fontella (RF) – Foi constituída juridicamente em 1996 como associação juvenil sem fins lucrativos e declarada de utilidade pública em 2004.
CL – Qual foi a razão de terem escolhido este nome?
RF – A escolha do nome ficou a dever-se ao facto de a Associação estar sediada no bairro da Torre, próximo ao mar, e ao bairro dos Pescadores, e de os peixes atraírem gaivotas.
CL – Quem criou a Associação e porquê?
RF – A AGT foi criada por um grupo de senhoras benfeitoras de Cascais. Foram elas que, em 1994, identificaram a necessidade de criar uma associação na região que desse oportunidade às crianças e jovens de terem actividades de ocupação dos seus tempos livres de forma ajustada e com acompanhamento psicossocial.
CL – A Associação tem sede própria?
RF – Sim, tem sede instalada no bairro da Torre, em Cascais.
CL – Quais são as principais áreas de actividade da AGT?
RF – Desenvolvemos actividades distribuídas por três áreas: profissional, educativa e social.
CL – Quem pode ser associado e o que tem de fazer?
RF – Pode ser nossa associada qualquer pessoa, com pelo menos 12 anos, que se identifique com os objectivos da instituição e queira participar de forma activa no seu desenvolvimento. Os candidatos a associado devem preencher uma ficha de inscrição disponível no nosso site (https://www.gaivotasdatorre.org). Há uma quota mensal de cinco euros.
CL – As actividades desenvolvidas pela AGT estão limitadas ao concelho de Cascais?
RF – Sim, desenvolvemos a nossa actividade dentro do território do concelho de Cascais.

“ACOMPANHAMOS JOVENS DOS 6 AOS 18 ANOS”
CL – A AGT apoia crianças e jovens. De que forma?
RF – Através da Ludoteca da Torre. Recebemos, diariamente, 40 crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, e apoiamos o seu percurso de vida. Promovemos o apoio escolar e a estabilidade afectiva e emocional dos jovens que acompanhamos.
CL – Quais as principais necessidades registadas entre os jovens que acompanham no concelho de Cascais?
RF – O acompanhamento próximo das suas famílias, que muitas vezes já vêm destruturadas de gerações anteriores, o que não permite dar estabilidade a estes jovens, que muitas vezes desistem da escola e enveredam por percurso menos adequados.
CL – Que programas desenvolvem destinados a este segmento populacional?
RF – Desenvolvemos vários programas, desde apoio escolar, alimentação equilibrada diária, actividades lúdicas e culturais, ocupação dos tempos livres e a organização de colónias de férias.
CL – De que forma é prestado o apoio às pessoas em situação de desemprego? Que programas existem neste domínio?
RF – A Associação possui um Gabinete de Inserção Profissional, numa parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, onde os utentes são apoiados na procura activa de emprego e encaminhamento para formação profissional.

“O ISOLAMENTO É A PRINCIPAL DIFICULDADE ENFRENTADA PELOS SENIORES”
CL – A AGT também promove programas que valorizam o envelhecimento activo. O que tem sido desenvolvido nesta área?
RF – Temos o Programa Vida Melhor, em parceria com a Autarquia de Cascais, que acompanha 85 seniores, através de controlo e medição da diabetes e tensão arterial. Fazemos também o acompanhamento a consultas, sessões de fisioterapia e classes de movimentos.
CL – Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos seniores do concelho?
RF – O isolamento, a reduzida capacidade de deslocação às respostas de apoio existentes e os baixos rendimentos disponíveis.
CL – A Associação tem colaborado no programa PIIC ME (Projecto Individual de Inclusão na Comunidade), que promove a inclusão de pessoas com deficiência. De que forma?
RF – De forma específica não, contudo o apoio social que a instituição possui acaba por alcançar, também, esta franja da população.
CL – No ano passado, a AGT inaugurou a sua Loja Social. Onde está instalada? Como funciona? Que tipo de artigos estão disponíveis?
RF – A nossa Loja Social está instalada no Bairro da Torre, em Cascais, num espaço cedido pela CMC. Está aberta todas as segundas-feiras, no período da tarde, entre as 14h00 a as 16h00, e também nos dias em que fazemos distribuição alimentar. Para o seu funcionamento, contamos com o apoio de um grupo de voluntárias, das Mulheres do Brasil.
A loja disponibiliza a toda a população diversos tipos de artigos, como roupa, calçado, artigos de bebé e roupa de cama/banho em muito bom estado.
CL – Os artigos disponibilizados na Loja Social são doados à instituição e entregues gratuitamente a quem deles necessita?
RF – Os artigos provêm todos de donativos, sendo que são depois disponibilizados à população mediante uma pequena comparticipação de um euro por cada dois quilos de artigos.

APOIOS PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
CL – Além da Loja Social, dispõem de outros apoios destinados a pessoas necessitadas? Por exemplo, ajudas alimentares/cabazes de alimentos?
RF – Fornecemos apoio para aquisição de medicamentos, apoios pecuniários para pessoas em situação de emergência (projectos da CMC), Banco Alimentar e Programa Alimentar da Segurança Social (POAPMC).
CL – Existem outros programas. Promovem um Clube de Leitura e actividades culinárias. O que se pretende com estas actividades?
RF – Estas actividades estão inseridas nas acções previstas no Plano de Actividades da nossa Equipa do Rendimento Social de Inserção, que acompanha 150 agregados familiares em Cascais, num projecto em parceria com a Autarquia.
CL – São também organizadas acções de sensibilização em relação a várias matérias, como, por exemplo, a violência doméstica. Além destas, existem outras acções de sensibilização?
RF – Sim, desenvolvemos também acções de prevenção da obesidade e diabetes (Saúde), de Psicologia do Luto (Emprego), de literacia financeira (Social) e de aproveitamento da roda dos alimentos (Saúde), entre outras.
CL – Como funciona o Programa de Apoio a Pessoas em Situação de Sem-Abrigo?
RF – Este programa, designado Housing First, vem na sequência de um protocolo celebrado com a Segurança Social e apoiado também pela CMC para o acompanhamento e a integração de pessoas em situação de sem-abrigo em habitações arrendadas. É feita uma sinalização pelo Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Cascais, de forma a poderem ser integrados no projecto utentes com o perfil adequado a cada habitação. Além de que a Associação, através da sua equipa técnica, faz também o acompanhamento permanente dessas pessoas, a todos os níveis.

“GOSTARÍAMOS DE CRIAR UMA MERCEARIA SOCIAL”
CL – Com que apoios conta a AGT para levar a cabo as actividades que desenvolve?
RF – O nosso orçamento é constituído por receitas provenientes de quotas, subsídios estatais, prémios, donativos, patrocínios e quotas de actividades, entre outras.
CL – No conjunto de todas as actividades desenvolvidas, quantas pessoas são apoiadas pela Associação?
RF – Apoiamos uma média mensal de 1.500 pessoas.
CL – Que outros tipos de programas gostariam de promover, caso tivessem à disposição os recursos necessários para o fazer?
RF – Gostaríamos de criar uma mercearia social.
CL – A Associação conta com o apoio prestado por voluntários no desenvolvimento das acções que realiza?
RF – Sim. Os nossos voluntários podem participar nas acções de apoio alimentar, apoio ao estudo, apoio em actividades comunitárias, apoio em colónias de férias, entre várias outras actividades que desenvolvemos. Ser voluntário é uma forma de dar força às nossas equipas técnicas.
CL – Um desejo para o futuro da Associação?
RF – No próximo ano, está prevista a mudança das instalações para um edifício construído de raiz, que vai passar a ser a sede da AGT.























