Aos sábados de manhã, nos campos de futebol da Escola Salesianos de Manique (Alcabideche), no concelho de Cascais, decorrem treinos de Basebol e Softebol. É com entusiasmo que cerca de duas dezenas de atletas treinam afincadamente orientados por Ricardo Martins, que dá indicações para dentro do relvado e incentiva os praticantes das duas modalidades, ambas pouco conhecidas entre nós.
Populares nos EUA, Basebol e Softebol chegaram a Portugal nas últimas décadas, mantendo uma presença ainda discreta no País. As duas modalidades são disputadas por equipas de nove elementos, sendo que a primeira é praticada, tendencialmente, por homens e a segunda por mulheres. Fora das vertentes mais competitivas, costumam existir também equipas mistas em qualquer dos dois desportos.
Basebol e Softebol ganharam estatuto de modalidades olímpicas, se bem que de forma intermitente. No caso do Basebol, depois de entradas e saídas, ficou fora dos Jogos Olímpicos (JO) Paris 2024, prevendo-se que possa regressar nas Olimpíadas Los Angeles 2028. Quanto ao Softebol, foi incluído no programa de Barcelona 1992 até Pequim 2008, ano em que foi excluído. Entretanto, foi anunciado que retornará, também, nas próximas Olimpíadas.
O jornal ‘O Correio da Linha’ foi conhecer melhor estas duas modalidades desportivas e um projecto para as desenvolver no nosso País, denominado Pumas Portugal, que tem vindo a ser orientado pelo treinador Ricardo Martins, um oficial de Marinha que sempre apostou nos benefícios de uma prática desportiva saudável, tendo praticado inúmeras modalidades ao longo da sua vida, tanto em terra como no mar.

PROJECTO CRIADO EM 2020
Jornal ‘O Correio da Linha’ (CL) – Quando começou a história dos Pumas?
Ricardo Martins (RM) – O projecto da equipa Pumas Portugal funciona associado aos Salesianos de Manique, à Fundação Salesianos. Começou a ser desenhado em Dezembro de 2019 e a equipa foi criada em Janeiro de 2020, o primeiro treino oficial ocorreu nessa altura. Quando começámos, tínhamos uma equipa júnior de Basebol. Entretanto, no ano passado, foi também criada uma equipa de Softebol Feminino.
CL – Como é que o Basebol e o Softebol surgiram na sua vida?
RM – Eu comecei a jogar Basebol por volta dos 14/15 anos num projecto conduzido por um treinador holandês, que chegou a ser jogador semi-profissional na Holanda, e que na altura era professor de Educação Física numa escola internacional no nosso País. Esse professor lançou uma equipa com alunos que gostavam de praticar este desporto e eu acabei por juntar-me a eles.
CL – Como é que se chamava essa equipa?
RM – Tinha um nome bastante curioso: Lisboa Old Stars. Não sei porquê, porque éramos todos muito novos. Depois, deu origem ao Lisboa Basebol Clube, um dos clubes mais antigos de Portugal. Eu fui um dos fundadores, juntamente com outros jogadores.
Mais tarde, quando o professor regressou à Holanda, alguns de nós acabámos por tomar conta da equipa. Na altura, foi também a génese do Basebol e da primeira Federação Portuguesa de Basebol e Softebol (FPBS).
CL – Qual a diferença entre Basebol e Softebol?
RM – Às vezes, quando falamos sobre o Basebol e o Softebol, temos a tendência de falar como se tratasse da mesma modalidade, sabendo que não é. Têm as mesmas raízes, o Softebol é uma derivação do Basebol. As bases são muito semelhantes, as características não mudam muito, grande parte do jogo é exactamente igual. Normalmente, o Softebol está mais associado a equipas femininas, mas também pode ser praticado por equipas mistas. A bola também é diferente. No Basebol é mais pequena, branca e rápida, enquanto no Softebol é maior, amarela e mais lenta.
CL – No total, quantas equipas é que os Puma têm?
RM – Temos uma equipa de Basebol Júnior Sub-11, ambos os géneros. Temos uma equipa de Basebol Júnior Sub-15, também ambos os géneros. E temos uma equipa de Softebol Feminino adulto, para mais de 15 anos e sem limite de idade. Não temos oferta de Basebol para adultos.
CL – O Basebol e o Softebol nos Salesianos de Manique têm quantos praticantes?
RM – No Basebol, contamos com cerca de 30 praticantes, entre crianças de ambos os géneros, com idades entre os seis e os 15 anos. No Softebol, temos actualmente 16 atletas. Este projecto destina-se a atletas adultas femininas, sendo que algumas praticantes juniores e juvenis do Basebol começam a ser introduzidas no Softebol Feminino. Tudo isto é ainda bastante novo, porque a equipa oficial de Softebol só foi criada no ano passado.
CL – Normalmente, o Softebol está mais associado a equipas femininas…
RM – De alguma forma, sim, mas não pode dizer-se que seja realmente assim, porque o Softebol é uma modalidade que até pode ser praticada com equipas mistas. A ideia aqui é ser inclusivo para tentar motivar os atletas a manter a actividade em termos de jogos. É importante manter esse calendário de actividades.
Habitualmente, o Basebol é masculino e o Softebol é feminino. Apesar de haver Basebol Feminino, não é tão comum, tal como não é tão comum Softebol Masculino. Ambas as modalidades podem ser jogadas por ambos os géneros, mas, tendencialmente, o Basebol é masculino e o Softebol é feminino, em termos das maiores competições mundiais.
CL – Que competições disputam em Portugal? A nível local, nacional?
RM – Temos participado em algumas competições. No Basebol Júnior não há competições oficiais em Portugal. A FPBS, neste momento, só está a organizar duas competições e são ambas para Basebol Sénior, que é um circuito nacional que dura mais ou menos de Abril até Setembro. E tem uma taça, denominada Taça Cidade de Abrantes, disputada em Outubro. Podia chamar-se Taça de Portugal, mas, como a FPBS não tem utilidade pública desportiva, não pode ter esse título.

“PREFERIMOS COMPETIR COM EQUIPAS ESTRANGEIRAS”
CL – O que têm feito os Pumas para poderem participar em mais competições?
RM – Não havendo oferta no Basebol Júnior para as nossas idades e também não havendo para o Softebol Feminino, temos continuado a desenvolver a equipa, melhorando as condições e a qualidade dos atletas. Para isso, procuramos fazer jogos, torneios singulares ou torneios de fim-de-semana.
Existem também outros projectos que estão a tentar arrancar em Portugal, com os quais até já estive ligado no passado, como é o caso de uma equipa em Oeiras, os Capitals, que eu também fundei e que está igualmente a desenvolver um projecto júnior. Tentamos fazer jogos contra eles. São sempre jogos amigáveis.
Existem ainda projectos no Norte do País. Alguns estão a vingar um bocadinho melhor, outros menos, mas neste momento eu arriscaria dizer que, com o número de atletas que nós conseguimos ter aqui nos Pumas e em termos de desenvolvimento técnico, neste momento não temos par em Portugal. As coisas constroem-se aos poucos, mas estamos já num patamar em que preferimos competir com equipas estrangeiras, por serem mais atractivas.
Já competimos fora de Portugal. Temos uma rede de contactos com equipas em Espanha e acabamos por ter oportunidade de ir lá jogar. No ano passado, fomos a Madrid participar num torneio internacional, que foi disputado entre quatro equipas (duas espanholas, uma norte-americana e nós) e ficámos em segundo lugar, o que não foi nada mau. Foi uma oportunidade excelente para os nossos atletas.
CL – Quem pode fazer parte das vossas equipas? É necessário ser aluno dos Salesianos?
RM – Não é necessário ser aluno dos Salesianos. É necessária vontade. Tendo vontade, qualquer pessoa, mesmo não sendo aluna dos Salesianos, ou não tendo qualquer filiação ao colégio, pode inscrever-se e participar nos nossos treinos.
CL – O que tem de fazer?
RM – Pode entrar em contacto connosco pelas redes socias (https://www.manique.salesianos.pt/atividades/basebol/), através das quais pode obter as informações e esclarecimentos necessários para efectuar a inscrição. Depois, todo o processo oficial é realizado nas instalações da Escola Salesiana de Manique.
CL – Onde é que fez a sua formação para treinador de Basebol-Softebol?
RM – Eu fiz sempre as minhas formações em Portugal. Frequentei as formações feitas pela FPBS. Na maior parte das vezes, é com palestrantes americanos que vêm cá, mas também já tive formações com palestrantes de outras nacionalidades, europeias. Anualmente, é obrigatório fazer essa formação, que tem uma qualidade bastante boa.
CL – Num mundo desportivo dominado pelo Futebol, como é que se faz a promoção do Basebol-Softebol?
RM – Eu sou muito crítico relativamente a isso. Eu adoro Desporto. Já pratiquei muitas modalidades. Tento culturar-me desportivamente, conhecer cada vez mais sobre outras modalidades e é com tristeza que vejo o foco demasiado excessivo que dão ao Futebol em Portugal, e a todas as modalidades suas derivadas. Tudo o que começa por Fut acaba por ter sucesso entre nós. Eu até já pensei em mudar o nome de Softebol cá em Portugal para Futsoftebol, para tentar arranjar mais adeptos.
Ter as condições que nós temos nos Salesianos é uma raridade em Portugal, um luxo. Conseguir um horário nobre, ao sábado de manhã, para treinar num campo como o que nós usamos é impossível em todo o território dos concelhos de Cascais e Oeiras. Tudo o que são campos de Futebol 7 para cima, que é o necessário para praticar Basebol-Softebol, regista taxas de ocupação de 100 por cento com o Futebol e seus derivados. Essa taxa de ocupação retira espaço às restantes modalidades para se poderem desenvolver.
Eu diria que o que se podia praticar em Portugal, e isso podia ser transversal a todas as outras modalidades para além do Basebol-Softebol, é que o investimento canalizado para o Futebol profissional fosse sujeito a uma espécie de taxa de carbono que obrigasse os clubes a apostarem também noutras modalidades.
Ainda relativamente à promoção do Basebol-Softebol, antigamente os jovens só tinham acesso ao que era transmitido através dos media tradicionais. Hoje há outra capacidade de projecção, o leque de divulgação aumentou muito com o aparecimento e desenvolvimento das redes sociais. Há outra capacidade de projecção, mas a divulgação passa também muito pelo chamado ‘boca a boca’. Há muitas pessoas que estão aqui e estão felizes e transmitem isso a outras, que também acabam por vir.

“JÁ ESTIVEMOS MAIS AVANÇADOS”
CL – Em Portugal, a FPBS acumula as duas modalidades, Basebol e Softebol. Desde quando é que existe esta estrutura?
RM – A primeira Federação foi fundada em 1993. Desde então, apesar de o nome se manter, o NIF já foi alterando. São novas organizações que foram criadas, mas as pessoas, basicamente, são praticamente as mesmas. Algumas delas começaram a jogar comigo. Infelizmente, creio que já estivemos mais avançados em termos de instituição, do que ela foi capaz de prover. Um exemplo disso é o campo de Basebol que existe em Abrantes, um campo que pertence à Cidade Desportiva, com medidas oficiais. Foi organizada lá, em 2002, uma competição oficial europeia com uma Selecção Nacional, no âmbito de uma pré-qualificação para um Europeu que acabámos por não conseguir.
Desde então, perdeu-se bastante. Não existe Selecção Nacional, a Federação perdeu o estatuto de Utilidade Pública Desportiva, por não cumprir uma série de requisitos necessários para isso. E a visibilidade também não é a melhor. Desejaria, obviamente, que já estivéssemos noutro patamar em termos institucionais, para garantir um Conselho de Arbitragem, formação de árbitros, melhor formação para os treinadores, colaborar melhor na projecção, tentar arranjar parcerias que fossem vantajosas para projectos como os Pumas, que têm zero de ligação à Federação neste momento.
Actualmente, a FPBS não tem competição para dar aos nossos miúdos, não tem nada que possa oferecer. Para as idades dos meus atletas mais pequenos e para o Softebol Feminino não há actividade. Eu costumo dizer que, em Portugal, é um desporto invisível.
CL – Os projectos de Basebol-Softebol não estão ligados ao Desporto Escolar. Qual é o papel que estas duas modalidades poderiam ter a esse nível?
RM – Estas modalidades poderiam ter um papel importante a desempenhar no Desporto Escolar. É uma oferta diferente do normal, que existe, e podia ser um lugar para muitas crianças encontrarem aqui a sua modalidade.
Uma das grandes dificuldades para implementar o Basebol-Softebol entre nós, e outras modalidades americanas, começa logo pelo material. Não existe no País uma oferta plena, para poder adquirir todos os artigos necessários. Uma conhecida multinacional com lojas de venda ao público de artigos ligados ao Desporto tem uma pequena oferta, mas insuficiente.
Eu próprio já dei formação. Tive oportunidade de dar um workshop a professores de Educação Física de agrupamentos escolares dos concelhos de Cascais e Oeiras, a mostrar o que era o Basebol e o Softebol, e desafiava-os a trazerem-me os materiais guardados na arrecadação desportiva da escola. Com esses materiais ensinava-os a montar um campo e a jogar. O taco, por exemplo, pode fazer-se com um pau de vassoura. As bolas podem ser bolas de ténis. Para as bases utilizam-se arcos. As luvas, como eram bolas de ténis, podia-se jogar sem luvas. Enfim, dá para praticar com imaginação e vontade.
CL – Quais os benefícios?
RM – Eu desejo que as crianças mantenham uma prática desportiva, que o Desporto faça parte das suas vidas até chegarem à vida adulta e que mantenham a actividade física depois disso. Ao longo dos anos ligado a estas modalidades, acompanhei algumas crianças que parece que tinham aqui a última estação, do género: “Ou eu vou jogar isto ou não vou conseguir jogar mais nada, porque não tenho jeito para mais nada”.
Notei também que, relativamente a outras modalidades, há aqui um set de capacidades diferentes. Muitos jovens não têm jeito para o Futebol, ou para o Basquetebol. Muitos têm uma ligação difícil com a bola. Aqui o set de capacidades necessárias é totalmente diferente. A coordenação de olho-movimento para acertar numa bola, por exemplo. Vi muitas crianças que sentiam até um bocado de vergonha ao tentarem o batimento na bola.
Fiz demonstrações em várias escolas em que vimos logo quem eram os miúdos mais atléticos e os menos atléticos, uns mais extrovertidos, outros mais envergonhados. Tive sessões em que víamos os mais envergonhados terem sucesso e os outros não, porque o set de capacidades era totalmente diferente. Isso, obviamente, faz-nos sentir bem, estamos a fazer com que aquela criança tenha ali um bom momento.
CL – O que o levou a optar por estas modalidades?
RM – Eu gosto muito de Desporto, sempre gostei desde pequenino. A modalidade que eu pratiquei mais foi Basquetebol, até uma idade mais avançada. O gosto pelo Basquetebol levou-me a procurar informação sobre este Desporto. Para poder acompanhar a NBA, eu comprava uma revista semanal espanhola, a ‘Super-Basket’, que chegava cá com uma semana de atraso e que, por sua vez, já vinha com uma semana de resultados atrás. Ou seja, eu via resultados com 15 dias de atraso e lia notícias sobre jogadores e equipas, o que era apaixonante.
À conta disso, acabei por interessar-me pelo desporto norte-americano. Essa publicação tinha sempre um caderno dedicado a outras modalidades, como Futebol-Americano, Hóquei no Gelo ou Basebol. Acabei por sentir-me atraído por este último desporto e tive curiosidade em saber mais. Decidi ir à procura, ver se havia em Portugal qualquer coisa. Curiosamente, encontrei a equipa que mencionei anteriormente, que treinava no Estádio Universitário, aos sábados. Foi lá que eu tive o primeiro contacto com o Basebol. Fui à procura de uma coisa diferente, foi só isso.

“HÁ MUITO A FAZER SEM SER SÓ ESTAR NO CAMPO”
CL – Qual a razão de ter ocorrido uma ascensão e queda do Basebol-Softebol em Portugal?
RM – Isto ocorreu mais na questão institucional e investimentos. O momento de ascensão foi a construção do campo de Abrantes, que implicou um investimento grande. É um campo oficial, o primeiro do País, inaugurado em 2006, um campo que tem todas as protecções, redes altas para impedir que a bola atinja o público. Todo esse investimento foi um ponto alto. Claramente foi um excelente trabalho das pessoas envolvidas.
Em termos de praticantes, se calhar agora há um maior número, mas muitos são estrangeiros que vêm para Portugal, sobretudo vindos da Venezuela. A maior parte das equipas do Norte não têm portugueses, ou têm um ou outro. As equipas aqui da região Centro (agora não há equipas na região Sul, já houve), é que, se calhar, têm tantos portugueses como estrangeiros.
Contudo, eu continuo a dizer que estamos numa fase de declínio, porque não houve isto que os Pumas estão a fazer, que é o trabalho com as camadas jovens. Ou seja, houve uma franja de pessoas que praticou e que depois não deu nada à modalidade. Quando deixaram de praticar também abandonaram. A cultura desportiva de nos mantermos ligados aos clubes também é importante. Há muito a fazer sem ser só estar no campo. Há muita actividade a desenvolver fora do campo, de colaboração, participar nos treinos, fazer parte da direcção de uma equipa, melhorar as condições, ir à procura de apoios… Falta manter esta ligação à modalidade.
CL – E qual é o papel da Federação? Dá ideia de não ser muito activo?
RM – Concordo. Eu sou um dos principais críticos. Tem de ser o motor, tem de ser uma organização atenta. Sempre que surja um projecto, tem que entrar em contacto com esse projecto, tem de procurar o que esse projecto precisa, o que é que está a fazer falta, no que é que a Federação pode contribuir, criar ligação com autoridades locais nos sítios onde há mais desenvolvimento, e também naqueles onde não há desenvolvimento nenhum, criar eventos onde possa utilizar os clubes como pontas de lança para serem agentes no local, mas com alguns apoios dessa própria Federação para desenvolver a modalidade na região, criar pontes. Não é só fazer um calendário e organizar uma competição. Também é preciso, mas isso só não chega.
CL – Que competições existem actualmente?
RM – A FPBS organiza apenas competição Basebol Sénior. São duas competições por ano, um circuito nacional com a participação de nove equipas e a taça, que é uma competição de um fim-de-semana apenas com as equipas que se inscreverem. Às vezes são nove, outras vezes são menos. E é só isto.
Para crianças e jovens não existe competição oficial. São só amigáveis ou torneios, como nós tentamos desenvolver. Organizamos um torneio e convidamos equipas que se inscrevem. É um torneio de um dia ou fim-de-semana. Quando necessário, nós adaptamos as idades, não podemos ser muito rígidos. Tenta-se ajeitar aos participantes. O importante é haver competição, jogos.
E depois existe a Associação Softebol Portugal, promotora da modalidade, que tem organizado uma competição denominada Liga Softebol Feminina. Participámos nesta competição, pela primeira vez, no ano passado, e temos intenção de continuar a participar, porque é a única instituição neste momento que está a organizar alguma competição e nós queremos jogar o máximo possível.
Tirando isto, existem outras competições, privadas, de cariz mais lúdico, que são anunciadas nas redes sociais. Lá está, porque há muita gente interessada em praticar. Porém, existe sempre esta dificuldade de ligação. Há praticantes, mas a Federação e a Associação referidas não têm conseguido cativar estes grupos e/ou equipas para se juntarem e dar uma sequência. Praticar aquela velha máxima: “Juntos somos mais fortes”.
CL – Como vê o futuro do Basebol-Softebol em Portugal?
RM – Não vamos falar do que eu desejaria, o céu é o limite. Vamos falar da minha perspectiva. Eu olho de forma optimista para o futuro do Basebol-Softebol. Estão a aparecer cada vez mais equipas, está a aparecer mais massa crítica que não existia, pessoas que se ligam à modalidade a pensarem não só em jogar. A pensar em jogar já existe muita gente, precisamos de pessoas a pensar na modalidade, a querer fazer algo mais do que só para elas próprias, algo mais do que só para o seu grupo-equipa, algo mais em termos generalizados. Essas pessoas estão a começar a aparecer e estão a ficar ligadas a alguns projectos. Há bom relacionamento entre os vários agentes desportivos ligados à modalidade. Isso é fundamental, não há mau relacionamento. Portanto, eu vejo o futuro com optimismo.
Projectos como os Pumas, outros projectos que estão a aparecer na região de Lisboa e projectos no Norte, que estão a tentar desenvolver o Basebol Júnior, estão numa fase de desenvolvimento que eu nunca vi antes. Vejo, também, que estas comunidades venezuelanas que vêm cada vez em maior número para Portugal podem ser um bom estímulo para aumentar a visibilidade da modalidade.
CL – Mas…
RM – O senão aqui, e digo isto com toda a clareza, sem problemas nenhuns, porque já o afirmei várias vezes, é garantir que não passa a ser uma modalidade só ligada à comunidade estrangeira. Não pode ser, nós não podemos cometer esse erro, tem de haver aqui algum regulamento e regras para estes estes grupos-equipa, o que não acontece actualmente. Isso prejudica o desenvolvimento. É preciso garantir que essas pessoas ajudam a desenvolver a modalidade, mas que também as obrigue a estabelecerem-se na comunidade nacional e a desenvolver a modalidade para esta comunidade. Esse clique tem de ser feito. E aí, se calhar, esses grupos-equipa têm de pensar não só neles, têm de pensar no futuro. Se calhar, podem ter de ser estimulados a isso. Tem de ser um órgão regulamentar a avançar com essa regulamentação.
Apesar de tudo, eu vejo o futuro com optimismo, acrescentando o facto de Basebol e Softebol voltarem a constar na lista de modalidades escolhidas para integrar o próximo ciclo olímpico Los Angeles 2028.























